A ligação que nunca consegui finalizar

Embaraço as palavras do mesmo modo que embaraço o sorriso e camuflo o olhar.

Às vezes não é perceptível, mas seria tão mais fácil se de longe você pudesse sentir que meus instintos procuram por você.

Alguém diz: “Você está esperando por alguém?”

E eu digo: “Não.”

Alguém diz: “Tem certeza?”

E eu digo: “Absoluta.”

Por que mentimos para nós mesmos? Por que ao menos para nós não podemos escancarar a verdade?

Esse é o mal do século. Esse grande esconde-esconde individual.

Hoje eu estava tão cansada, tão fadigada, tão descrente… Faz cerca de uma semana que ando assim cambaleando, tentando me manter em pé em cima do meio fio. Mas, nunca há equilíbrio o bastante. A corda da vida sempre arrebenta do lado mais sentimental.

Quando te abracei, tentei encontrar um abrigo há tempos perdido, um encalce que pudesse me tirar do abismo em que me encontro. É tudo um grande precipício, que dia após dia fica mais fundo e mais negro.

Essa carência de afeto dos seres humanos. Essa minha carência de afeto. Quando não quero amor. Quando sempre busco dar amor. Quando, nada tenho.

É como se fosse uma espiral que infinca em nossas raízes do subconsciente e adormece lá, vez ou outra desperta e nos encurra-la, mas esta sempre lá aposta para trabalhar.

Nada lhe cobro, nada quero, não venho por meio deste chorar pitangas, pagar de santa ou rezar missa. Venho mesmo por necessidade de vômito, necessidade de vazão das emoções, das ideias, dos telefonemas que nunca deram certo.

Mais uma vez saliento aqui e que conste nos autos este registro: Nada lhe cobro, nada quero, longe de mim chorar pitangas, etc.

Uma voz surge em meus ouvidos. Um sorriso diante de meus olhos. Um filme em minhas têmporas. Sim, por mais que minha ausência e meu espaçamento hoje estejam maiores e venham se tornando mais frequentes, meu peito buscou por você nas multidões, eu precisava saber identificar qual era o ritmo de teu coração, se batia ainda descompassado ou se tinha entrado nos eixos.

É complicado abrir uma porta quando você tem medo de fechar mil em teus ombros pesados e frios, digo até cinzas de tanta poeira acumulada das decepções da vida trágica.

Enfim, não irei me estender.

Adiante com tudo, digo: Se vou na contramão e os faróis não acendem, o que faço eu… Atravesso na faixa de pedestres ou deixo com que um caminhão roube minha inocência bem debaixo das asas de um anjo?

8 comentários sobre “A ligação que nunca consegui finalizar

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