Eu sou o que as traças deixaram para trás

Meticulosamente as ideias se voltam para um casulo oco. Dormem. Auto se nutrem por lembranças ferrenhas. É tudo pendular, constante e interminável. Escuridão. Paredes negras, solo negro, teto negro. Caixinha de sapatos. Sem forro. Sem seda. Guardada num revestimento de madeira falso, horizontalmente embaixo de roupas antigas, furadas, empoeiradas, destroçadas por traças velhas.

Vulgo dor. Vulgo suco. Suco quente e gástrico. Fétido. Uma hora o membro se atrofia. Noutra, estende-se e rasura o próprio músculo. Galhos secos cantam roucamente. Os tímpanos sangram limo. Onde estará o sol? Onde estará as digitais subtraídas pelo acido sulfúrico? Rolo de barriga para baixo. Rolo de barriga para cima. Meu próprio domínio. Minha própria vertente humana. Lembranças com farpas. Lembranças soturnas. O tampo de uma caixa se abre. Um corpo suspenso na gravidade. Sou minha própria bussola ao norte da escuridão. Tudo são rádios. Tudo são ondas de fibra eólicas.

10 comentários sobre “Eu sou o que as traças deixaram para trás

  1. Quanta intensidade! A combinação do texto com a foto ficou perfeito. Li o texto três vezes para conseguir processar tudo. Gosto muito dos seus textos, mas esse me acertou em cheio rs.

    Curtido por 1 pessoa

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