Rosas vermelhas não alteram tempestades

O útero dói. Gota a gota uma enorme poça de sangue se forma e percorre o labirinto das coxas, canelas, pés… Sinto-me quente nesta sexta-feira tão fria enquanto uma garoa fina despenca do céu camuflando-se em minhas lágrimas mornas.

Debruçada em uma ponte observo a cidade, conto os passos dados por segundo na esperança de esquecer-me de mim por um breve infinito de tempo. Ao fechar os olhos, visualizo rosas vermelhas desabrochadas, dóceis, femininas…

Meu peito se molha em lágrimas e soluços. Tudo o que um dia eu quis foi embora, tudo o que um dia foi meu, neste instante parte de encontro a outra felicidade. É engraçado como tudo se repete, como as falsas esperanças se propagam, como a gente sempre acha que um eu te amo sempre é o bastante, mas não, nunca é. Em pensar que minutos atrás alguém desferia dores de lamento e saudade em meus ombros e eu ali no meio do centro da maior cidade cinza que o homem já ousou criar, estive entregue ao perfume das memórias, misturado com o cheiro de rosas vermelhas.

Sentada agora ao chão, observo um homem vasculhando o lixo e percebo o quanto as relações são frágeis e o quanto sempre caímos nas armadilhas dos amores repetitivos.

Mulheres vieram, mulheres se foram, algumas me deixaram buracos de bala abertos na alma, outras, feridas tão expostas que se tornaram cânceres malignos.

Útero jorra sangue sujo para fora de mim, os minutos correm gota a gota…
Preciso partir antes que mais um lamento me alcance…

Ainda é muito difícil dizer que não há nada de errado quando tudo o que você tem são olhos avermelhados me dizendo para não partir, quando na verdade são estes mesmos olhos que se vão de encontro a um par de olhos secos e quentes.

Talvez eu pense demais. Talvez eu sinta demais. Ou talvez eu atravesse a cidade vezes demais com rosas nas mãos para pessoas erradas.

Mulheres e suas maneiras de me dizer: obrigada por estar aqui.
Mulheres e suas maneiras de correrem da chuva direto para o braço de outras mulheres.
Mulheres e suas tpms fudidas.
Mulheres e seus jeitos carinhosos de partirem ao meio um coração apaixonado.
Mulheres e suas elegâncias quando dizem ao telefone: Tchau, te amo, para outras mulheres bem diante da metade de mim.

Eu como mulher, me retorço em dores menstruais enquanto juro para mim mesma nunca mais dizer sinto sua falta para outra mulher que não mais pertence ao meu estoque de poesias.

Próxima estação: Pinheiros, sangue e tempestade!

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