Imprópria para banho

A vejo exposta ao sol da manhã com as nádegas apontadas para o céu azul.
Dou uma bebericada numa cerveja gelada enquanto ouço o mar batendo nas pedras.
Ao longe, barcos vem e vão, vem e vão, vem e vão…

Refletindo sobre a vida e os amores perdidos, penso no tanto de sorte que aquele belo corpo exposto ao sol me trouxe e o quanto de fôlego aos pulmões ainda me restam graças aquele par de olhos negros dóceis, sinceros e gentis.

Por onde andei todo esse tempo que o sol nunca alcançou as sombras encrostradas em mim?

Cachorros latem. Música sertaneja toca. Crianças de três anos com as unhas das mãos e do pés pintadas de rosa choque. Homens com verrugas gigantes cabeludas nas coxas. Mulheres com suas peles manchadas de limão ao sol. Barcos ainda mais longe com peixes mortos boiando contra a maré…

Bebo mais uma. Bebo mais outra.
Observo aquele belo corpo exposto ao sol besuntado de areia e sorrio calmamente.
Um ambulante vendendo picolé passa, compro um de seus vinte sabores e entrego aquela bela garota exposta ao sol das onze e vinte e dois.

Sabe, a vida não é tão ruim assim quando temos alguém para amar mesmo estando morrendo desidratada às quatro da manhã numa praia no meio do nada, bem ao lado de uma placa gigante escrita: imprópria para banho.

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