Olhos negros arredondados

as feições dela me perseguem;
estação em estação, sempre ali;
os mesmos olhos grandes, negros e arredondados,
as mesmas sobrancelhas negras e grossas,
a mesma boca pequena de lábios carnudos, muito bem desenhada.
vejo rostos na multidão diariamente,
caminho todos os dias de forma exaustiva desejando ter meu corpo arrastado para o precipício;
tudo o que eu posso ver antes da queda fatal,
são as feições dela que há anos luz me persegue.
entra dia, sai dia, todo o tempo eu sinto que dessa vez é real,
que dessa vez minha áurea irá topar com a luz celestial dela,
e assim, nós mastigaremos nossas glórias eternas para sempre.
observo às mãos alheias, os dedos, as unhas…
nunca são as mesmas mãos que um dia se atreveram a segurar as minhas um dia antes do velho apocalipse bem no meio da escuridão.
rostos vem,
rostos se vão.
dia, menos dia,
talvez um milagre um pouco tardio me traga de volta os detalhes dela.
me vou…
costurando o tráfego de almas vagas.
ali, aqueles olhos… talvez seja…
não; nunca são os olhos negros dela.

2 comentários sobre “Olhos negros arredondados

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