Minha mãe!

Bitucas em copos com cinzas
Doses de pinga antes da janta
Chicotes invisíveis
Grilhões tão bizarros como o circo;
Onde foi para a cantoria e o sorriso embranquecido desta mulher envelhecida e triste?

Horas a fio no verão
Num sofá de couro barato,
Controle remoto apontado para uma chacina televisiva
Outra mão punitiva no lombo do gato;
Onde foi parar a juventude tardia desta pobre mulher?

A igreja toca o sino
Cruzes são erguidas bem lá no alto,
Imagens de santo são jogadas ao lixo em jornais amassados,
Bíblias e louvores protestantes são desferidos em mesas de almoços fartos;
Deus, onde será que foi parar a virtude desta sagrada mulher?

Os pelos pubianos crescem e se cacheiam
O rancor,
O ódio,
A solidão
E os músculos atrofiados resumem esta mulher sem cor de esmeralda;
Tempo, o que fizestes com esta pobre alma?

Sentei sobre cadeiras de gordura e pó e me pus a escrever,
Quando fui ver já tinha reservado um espaço entre o céu
E o inferno juntamente com a figura de minha própria mãe.

5 comentários sobre “Minha mãe!

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