Te esperando pousar seus sapatos em minha mureta

Você se põe a chocar a desistência,
Enquanto você espera por um par de sapatos conhecidos e você não é rápida o bastante,
Ao menos não tão rápida quanto os pés perturbados;
Ai você conta os segundos em seu belo relógio imaginário,
E uma flor amarela gruda em seus cabelos
Enquanto outra flor amarela se ajeita em seu colo.

Você observa a loucura fértil dos olhos;
De mulheres,
Homens e crianças pequeninas.
Nada muda,
A não ser a porta do elevador que se abre e se fecha a suas costas;
E você segue pedindo por glorias,
Milagres,
E um gole de mais três vidas…

As quatro estações do ano se passam
E você continua ali a chocar a velha mureta
Com o pó de seus ossos traseiros;
E então você boceja,
E então você tosse;
Seca,
Germes,
Horas,
Verdes.

As crianças já morreram sem envelhecer,
Os homens e mulheres morreram sem viver;
Estou aqui ainda,
Observando os pés nascerem de buracos nada maternos.

Onde será que você se esconde,
Uma vez que seus sapatos nunca pousaram fronte a esta velha mureta?
Até as pessoas sem mobilidade nas pernas pousaram seus sapatos nos beiras da vida;
Então me diga,
Quantos passos ainda me restam?

5 comentários sobre “Te esperando pousar seus sapatos em minha mureta

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