Quando o diabo atenta

Uma arcada dentaria mordisca minha bochecha direita enquanto minhas palavras sobressaem os discos. E eu vejo as pessoas do lado de dentro das janelas de plástico nos olharem meio ouriçadas, meio deprimentes, meio mortas, e mesmo assim os incisivos continuam atuando brutalmente.

Sinto meus pés serem devorados por formigas enquanto você endiabrada me lambuza com seu mel de capitolina.

Ora, ora, ora…
Câmeras nos metralham com ar de fiscalização e flores.

Ecos no cio borbulham em meus ouvidos misturados com a ponta de uma língua macia e perniciosa.

Eu falo, falo, falo… Nada digo, tudo sinto, pouco faço.

Suas mãos de serpente envenenam minhas coxas, tórax e pescoço, enquanto isso um novo punhado de rostos pousam, um novo punhado de rostos se vão…

Pausa para um ultimo suspiro. Eu tremo, tu gemes, nós em porra e fogo.

Um abraço sacana de adeus, com seios colados em seios suados, saliva de amora no canto esquerdo da boca, luzes em fleches de saideira…

Você se senta, sorri elaboradamente, me acena e parte…

Caminho então serenamente em direção a oeste e penso:
– Preciso trocar de sorriso antes que a noite acabe.

2 comentários sobre “Quando o diabo atenta

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