Poesia sobre: Como não Amar

Um aceno guardado no bolso cheio de febre.

Um sorriso miúdo cansado de esperar pela arte dos encontros.

E ali havia tantos rostos e tantas vozes, mas por dois segundos tudo pareceu tão desabitado.

E os cabelos molhados combinavam com a blusa bege e o short preto.

Nu. Estava eu.
Entregue a passagem dela.

Tão depressa passou os olhos e eu sem pretensões acabei cuspindo um coração inteiro de esperanças fora.

Desejei afogar-me ao mar.

As costas dela não mudaram, continuam como sempre, tão fortes. Enquanto meus pés ganharam um tom de fragilidade.

Eu tive medo da dor esculpir em mim o nome dela.

Nossa, se ela soubesse quantas vezes eu me sentei à mesa sozinha antes do café.

Quantas vezes eu passei pela mesma praça contando os mesmos traços de hormônios e urina lembrando da gente nos domingos da vida.

Quantas vezes eu reencontrei um passado com nome de 2009.

Quantas vezes eu liguei pro mesmo número sem mesmo começar a discar.

Quantas vezes eu vi os traços do rosto dela acoplados num monte de corpos sem alma.

Fazia sol.

O cenário era praiano.

Você com seu novo amor, hetero.
Eu com meu novo amor, homossexual.

Nós depois de sete anos no primeiro dia do ano de 2018.

F-E-L-I-C-I-D-A-D-E-S.

8 comentários sobre “Poesia sobre: Como não Amar

    1. Fico muito grata e felicitada por seu gentil comentário.
      Se nada for totalmente verídico aos fatos, então nem me cabe escrever nenhuma palavra sobre.

      Obrigada por sempre aparecer por aqui.

      Tenha um ótimo dia!

      Curtido por 1 pessoa

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