Em quantos corpos fomos nós?

Um rosto em febre nas mãos que tanto perambulam por tracejados opostos. Tudo se afunila no decorrer que os dedos seguem, ora desliza na testa, hora esbarra nos olhos.

Ao fundo, o amarrotado do que a meia hora fomos. Ali, bem atrás de nós, existe um pouco do que o mundo nos consome. Existe pernas bambeadas pelo desprazer, ao mesmo tempo em que são sustentadas por fuligens de nossos pelos ralos e pretos. E há um bocado de braços dentro de abraços urgentes, porém, desgarrados demais para voar.

Conto as ilhas perdidas que nascem de sua cintura enquanto você tenta me inflar feito balão. Hoje aqui atingimos picos altos, altos demais para serem descidos.

Anulo meus pensamentos para derramar em você um corpo: inerte, quente, vazio. De olhos fechados posso ver você despejar a mesma inércia sobre mim.

Contemplamos nossa existência denominada; saudades. E assim ficamos por horas, sem partir…

Hoje: chuva, café, cólica, solidão.

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