Imbecialidade emocional

Prego estilhaços em meus próprios punhos, pensando no quanto me despuz aos caprichos seus.

Corpos aos montes passam em formato de foguete por minhas retinas preocupadas e sorrateiramente deixo franzir a testa em tom de calamidade.

De longe te vi caminhar em passos curtos, de cabeça baixa, de olhos perdidos.

E eu ali, parada diante do mundo, esperando nossos corpos se esbarrarem em abraços mornos.

O telefone não tocou.
Esperei por ti solenemente.
O telefone não tocou.
Esperei por ti contando as horas.

O calor chegou ao topo. A chuva se espreguiçou na noite. Um vinho chegou ao fim na mesma proporção em que eu me via brevemente num espelho demarcado pela privatização.

Aonde me encontro agora, o ar não passa de forma fria.

Minha pele soa… Minha pele soa…

Trago um lenço bege em meu bolso que se amarrota conforme eu traço novos passos rumo as indecisões tardias.

Uma mulher discursa sobre cacetetes serem desferidos sobre o rosto de mulheres em âmbitos educacionais.

A noite vai longe e eu penso fortemente na hora de voltar para casa.

Há uma garota a me esperar nos trilhos.
Há uma garota a me esperar encurralada nas catracas.

Penso agora: será que até o final das vinte e quatro horas de uma quarta-feira, serei forte o bastante para suportar o peso de minha imbecialidade emocional?

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