Eu – Fragmentada

Tenho meus pulmões empesteados de mucosa verde. Não respiro decentemente a cinco dias. Caminho cada vez mais lenta por causa de meus parafusos e placas de metal…

O útero pinga de um jeito exagerado. Coloco uma câmera fotográfica suspensa em meu pescoço. Observo mulheres tremerem suas mãos e suarem suas axilas em frente a um número considerável de olhos…

Trago nos bolsos balas de uva e maçã verde. Bebo uma lata de Skol gelada e inalo um pouco de fumaça para os gripados pulmões…

Minha boca se resseca. Abraço garotas que perderam as vozes por causa do frio.
Um homem luta contra si próprio para não dormir em meus ombros. A vida útil de minha bateria pisca em vermelho nos treze por cento…

Acordei as seis da manhã junto com a geada, trazendo meu corpo nu perante os termômetros que marcavam 10° Celsius…

Só hoje, expulsei dois litros de sangue coagulado com fragmentos de um pulmão doentio.

8 comentários sobre “Eu – Fragmentada

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