De forma condicional

Não olho para o chão já faz um tempo.
Já faz um tempo em que não olho para o chão.

Estou sempre a procurar no alto os teus cabelos. Fios negros que brilham no escuro.
Estou sempre a procurar por teus olhos negros. Gentis e ao mesmo tempo, tentadores.

Não olho para o chão já faz um tempo.
Já faz um tempo em que não olho para o chão.

Ao caminhar de forma plena ou numa postura desengonçada, costumo sempre caçar de forma olfativa o seu doce perfume.
Mesmo que em outras peles nunca tão cheiro vai ter tal gosto igual.
Viro de supetão quando tua essência passa pelos ares bem próximo a mim.
A dedo e a tato te sigo de forma quase que transparente.

Não olho para o chão já faz um tempo.
Já faz um tempo em que não olho para o chão.

Dia após dia meu coração pedala contra uma correnteza de mil mares e você não sabe como é sentir seus pulmões explodirem por causa do sal.

Agora aqui comigo penso,
se você sabe de fato que estou sempre com meus olhos a espiar por um muro que eu mesma nos impus só para esconder uma juventude minha da qual sinto vergonha.

Eu, vou caminhar para casa.
Vou me deitar de costas para a parede.
Vou tentar dormir antes das três horas da madrugada.
Vou voltar no passado no mínimo duas mil vezes.

Olharei para o chão mesmo de olhos fechados. Não há como evitar, já estou condicionada.

 

2 comentários sobre “De forma condicional

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