Maratone-se #2

Pés podres e coluna estragada ao final do dia. Hoje foi dia de ensaio fotográfico no centro de São Paulo e o modelo da vez foi um ex colega de turma e futuro colega de profissão, Guilherme Gatti. Acertamos no relógio as onze horas da manhã pontualmente no inicio da praça Franklin Roosevelt. Fazia um pouco de sol, apenas o suficiente para estourar a iluminação das fotos e me deixar com o nariz e a testa suando em bicas.

Eu gosto de ficar atrás das lentes, tanto de modo colorido quanto de modo preto e branco, mas confesso, tenho uma enorme inclinação por fotos preto e branco, principalmente aquelas que destoam lindamente para o cinza… 

Maria Vitoria Francisca
Ensaio Fotográfico – Guilherme Gatti

O cinza combina com a brancura dos sorrisos e com a velocidade das coisas. Então, enquanto Carolina se arrumava em diversas poses e posições, eu fiquei por trás das lentes que reproduziam apenas cinza, elaborando um Making Of deste ensaio que acabou em café e política numa vista do décimo primeiro andar.

Maria Vitoria Francisca
Ensaio Fotográfico – Guilherme Gatti

Senhor, como é mil vezes mais fácil fotografar homem. Eu, Maria Vitoria Francisca, não gosto de forma alguma de fotografar mulher, por mais que eu ame de paixão e tesão as mulheres. Se vocês soubesse o quão mais prático e leve é um ensaio masculino vocês começariam a fotografar o primeiro macho que vocês vissem pela frente. Hiper me relaxa e aguça minha criatividade pousar meus olhos no corpo e nos trejeitos masculinos. Gozado, não é mesmo?

Maria Vitoria Francisca
Ensaio Fotográfico – Guilherme Gatti

Eu até que tentei pousar para algumas fotos ao olhar de Carolina mas não deu certo. Tenho uma enorme face de nada, sem expressão com muita raiva, solidão e desconforto camuflada atrás dos olhos. Literalmente não sirvo para modelar, porém, quando brincamos de treinar nossas expressões artísticas aqui em casa com a câmera, sempre faço ensaios nus como vim a este mundo enfadonho e safado.

Passamos da agitação das ruas para o calor humano e aglomerado do Sesc 24 de maio. Tivemos tempo para colocar nossas desconstruções sociais em dia. Fomos fotografados por imigrantes da galeria do Reggae. Tomamos café sem açúcar.

Ainda tive tempo para passar na Santa Efigênia para caçar uma capa para meu mais novo brinquedo de fazer a realidade das cores se tornar cinza. Sem sucesso. Parti com um extremo cansaço rumo, Avenida Paulista. Achei a maldita capa no último fio de esperança que se pode no fundo das gavetas empoeiradas e frias. A maldita capa era vermelha, preta e rosa, entalhada os dizeres: I’M SEXY.

Cheguei em casa e fiz a melhor coisa que eu poderia ter feito no dia de hoje: PINTEI A MALDITA CAPA DE PRETO.


O MAKING OF DO ENSAIO FOTOGRÁFICO DE HOJE ESTÁ NO MEU PERFIL DO INSTAGRAM: @a_estranhamente

maratone-se

 

2 comentários sobre “Maratone-se #2

  1. Para mim ocorre justamente o contrário. É tão mais fácil olhar e falar da mulher. Escrever a mulher. O homem me causa outras sentimentalidades. Acho que é tudo muito sexual, no meu caso. Com mulheres é outra coisa. Envolve outros sentidos. uma cena de beijo. De toque. É tudo poético. Entre homem e mulher, para mim, é sempre carne-pele.
    Enfim, gostei do ensaio e do diálogo, acho que viajei, para variar.
    bacio

    Curtido por 1 pessoa

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