Maria Vitoria Francisca

Maratone-se #6

Os retratos passam pelo corpo de forma cíclica. Sorriso esboça vertigens num processo histórico que jamais poderá ser curado pelo tempo. Olhos caem num peso invisível enquanto o sol contorna o corpo feminino sagrado com tonalidades de absorção fragmentária exposta.

Corpo. Pende em moléculas frias.

A fumaça expele raízes fortes que fogem para grutas que sangram na interface da lua.

Terra. Água. Fogo. Ar. Mastigando-se entre si um projétil denominado; força.

Terra. Água. Fogo. Ar. Rasgando os ventres revestidos por paredes de flores semi aquecidas.

Cabelos pendem e cobrem um corpo que geme de forma fria, às vezes morna, às vezes nas madrugas, às vezes de forma solo enjaulada em seu próprio templo e às vezes escoa tanto a si mesmo que por si só, transcende.

Libertária forte. Filha do universo escupida em escultura de argila maciça. Brotando por areias que nunca foram regadas mas todo santo dia evapora sua própria essência; úmida.

Pregos nos calabouços do desespero. Mulher e seus medos de voltar para dentro de si e nadar em piscinas banhada de folhas secas.

Então, deita-se.

Prende-se.

Cala-se.

Sabota-se.

Transfigura-se.

Há quem a viole de forma impar e cúmplice.

Nada que a renda em luta como infértil, pois tão armada é sua escolta que nem por súplica transita só, como se ser mulher não fosse ser filha da lua.

Ciclos e suas oito fases.


maratone-se

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