@a_estranhamente

Olhar. Fracionar. Se redimir

Olhos seguem os passos pelo lado de dentro das vitrines, enquanto os olhos que transitam do lado de fora no carregar de seus próprios calcanhares grossos e cascudos, não são capazes de notar que uma grande orquestra de olhos funciona a medida que um conjunto de “anormalidades”, passa pelos trilhos e se vai para sempre.

Do lado de fora alguém sorriu sozinho. Através dos vidros frágeis podia-se notar olhares de repulsa e asco. É possível ver através de uma invisibilidade superficial o quanto os olhos são o próprio reflexo de ódio subjetivo.

Fechados, apertados, aquecidos por luzes artificiais, fétidos, infelizes, orando, chorando, comendo, dormindo, lendo, brigando, sentado, de pé, conscientes ou inconscientes. Há corpos trancafiados em caixões de vidro sem prego e eles não são capazes de notar que ainda estão vivos e respiram insegurança.

Existe eu. Pessoas como eu. Diferentes de mim… Tudo fora das caixas, porém também olhamos os enjaulados de forma curiosa ao mesmo tempo que temos refluxos gástricos. Associamos todos a animais extintos e esquecemos previamente o quanto somos a caça.

Olhar através de paredes de vidro é o mesmo que jogar nossa integridade em abismos ao mesmo tempo que tentamos nos burlar de nossas próprias falhas e pecados.

Olhar-se para reexistir.

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