Trocas com, Renata Leão

Entorpecer para não enlouquecer, Maria Vitoria

O cérebro esguicha um torpor pesado, é preciso então esvaziar toda essa insanidade.

As ideias correm rápidas demais, por vezes, passo de dois a três dias ininterruptos tragando os estigmas da vida e a concepção de nossa própria racionalidade. Diante disto, é preciso defecar restos de mim que se somam a cada segundo, gerando o endurecer e o putrificar de um vômito calejado. Às vezes, é necessário que eu mesma me fuzile num muro desprovido de cores. Eu também bebo. Eu também masturbo-me. Eu também jogo aos pulmões uma espécie de câncer incurável.

Enlouqueço caso eu não expulse o eu de mim, porque mim; é poema.


A embriaguez veio de brinde, Renata Leão

Acordei com o corpo enfraquecido e dolorido, comecei o dia como se tivesse
bebido todas durante a madrugada.
Meu corpo está de ressaca mas nenhuma gota de álcool passou pelos meus lábios.
Busco respostas para essa sensação. Na memória procuro lembranças que possam me ajudar, relembro…
Um amigo fez do meu colo divã. A noite e madrugada adentro eu ouvi histórias de corações partidos, inseguranças e o desejo de ter um amor.
Bebi tristeza e insegurança ao som de músicas tristes e nem percebi que a embriaguez veio de brinde. Não precisei de bebida alcoólica, pois a tristeza me entorpeceu.

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