@a_estranhamente

Desafio Literário | CHEIRO

Querida Ana!

Aproveitei a solidão da tarde de domingo para te escrever. As nuvens tomaram conta do céu em seu tom azulado escuro e o cheiro que a terra exalou me lembrou você.

Juro que pensei na singeleza dos seus passos sobre a areia branca da praia e do canto do seu mar, mas aqui, eu tenho além do voo do beija-flor, a chuva que começa a cair. O cheiro é a coisa mais surreal do mundo! Como pode a gente sentir vontade de repartir esse cheiro com alguém, Ana? Você pode responder?

Os cheiros fazem parte de mim… desde pequena, essa mania de sentir a presença de alguém, de reviver momentos são ritmados pelos cheiros.

O pão caseiro da vizinha e o cheiro a invadir os quintais é de suspirar e a vontade é atravessar o portão e ir lá ganhar um pedaço. A torta de banana da padaria da esquina é de enlouquecer, Ana! Não sou muito fã de torta de banana, mas o cheiro dela é emocionante. O cheiro da rapa do arroz de minha irmã é quase uma volta ao passado, lá na infância, quando minha mãe parecia alquimista na beira do fogão de lenha a assar os bolos para o chá.

O café, na madrugada a exalar seu cheiro enquanto me levanto. Chego a jurar que é na casa do senhor Wilson. Nunca bebi café lá, mas já sorvi todos os cheiros do café dele.

Agora, o que queria dividir com você é esse cheiro de grama molhada no quintal e a tarde mansa que descobre em mim a saudade.

Saudade tem cheiro, Ana? Ah, acredito que não, pois se tivesse teria o cheiro do seu perfume.

Beijo meu.
Mariana


PARA LER OUTROS TEXTOS DA AUTORA, MARIANA GOUVEIA

FacebookBlogInstagram

13 comentários sobre “Desafio Literário | CHEIRO

  1. Duvido de tudo que dos olhos vem,

    Não sei escrever poemas de amor,
    Duvido da matéria que compõe
    O universo, das flores o cheiro
    Mas não da natureza e deliro

    Quando escrevo estando muda
    Esta, mas das flores não duvido,
    Duvido se os poemas de amor
    Existem mesmo ou onde moram

    Na ciência dos sonhos que descrevo
    P’los perfumes que não sinto, d’lírios
    Em flor, não sei mais fazer poemas,
    Seja de amor ou sobre-o-que-for,

    Duvido de tudo que dos olhos vem,
    Ou nos braços repouse, da existência
    E das romãs, apesar da cor a sangue,
    Apenas num algoritmo acredito,

    Que é ser viva a natureza e pródiga
    A substancia que habita o universo
    E em mim mesmo, não sei escrever
    Poemas de amor, duvido crendo …

    Joel Matos (03/2017)
    http://joel-matos.blogspot.com

    Curtir

    1. eu poderia escrever outro desafio só com os cheiros que me levam a ti.
      Os cheiros de tua cozinha, de teu banheiro, de tua rua, do primeiro abraço no aeroporto lá em 2015, no primeiro encontro… dos cheiros dos papéis enquanto Marco imprimia o primeiro O Lado de Dentro…
      Ah! Sou quase eu a escrever uma carta!
      Grazie tanto e sempre!
      Bacio

      Curtido por 1 pessoa

Comente sobre isso

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s