Desafio Literário | BALADA PERFUMADA

Desafio Literário | BALADA PERFUMADA

Perfumes disputam, agridem
o olfato geral
Parceiros são apenas
em burlar o fedor
mau cheiro da vida
das sobras da vida
mau cheiro do medo
o olor da preguiça
Hoje é sorver dos perfumes
o seu encanto engano
aceitar que o agrado
não suprime o que torna à tona:
o estrago, o desgaste
acúmulo rejeito
cheiro e exsudação
Por ora os perfumes
continuam empestando
o salão, o terraço
mascarando gases
roupas e peles encardidas
narinas e galas opressas
Cultivemos a sua
delícia e agressão
hão de após se exalar
o futum, a catinga, o bodum
rescendendo de pregas
poros, orifícios e cavidades
– um aviso de morte –
hão de ascender
de valas, fossas
bueiros, monturos
– uma crueza fragrante
um assédio olente
E virão novamente os perfumes
tornar-nos mais suportáveis
eivar o espaço ao redor
e de repente, o tosco espanto
numa esquina ou ponte
sob fachadas escusas
o assalto cheiroso
o asco num flagra
Perfumemos a vida embora
oferenda a circunstantes
disfarcemos a morte embora
em presenças mortais
No fim de tudo
em meio a flores e frascos vazios
haverá o fedor
fedor das carnes
hálito das fomes
fedor de aterros
o lixo, as fezes
o esgoto aberto em praias
o fedor, o fedor, livre o fedor
e os demais cheiros
francamente

PARA LER OUTROS TEXTOS DO AUTOR, TIERRY MOTTA

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