Trocas com, Renata Leão

Promessas não cumpridas, Maria Vitoria 

Olho e reolho para esse tema e a única coisa da qual eu consigo pensar é em mulheres. Mulheres e passados que nunca serão enterrados. Mulheres e suas fagulhas que me acendem em textos e me deixam torrando em chamas em cada linha tracejada. Mulheres e suas peles da qual eu escorava minha face nos tons solenes de seus braços, pescoço, seios, coxas e nadegas. Mulheres que batiam em minha porta em madrugadas de chuva. Mulheres que seguravam minhas mãos nas ruas do centro da cidade enquanto todos os olhos se voltavam raivosos contra nós. Mulheres e seus sorrisos camuflados de mentiras. Mulheres e seus olhares pedintes de coisas que eu jamais poderia lhes dar. Mulheres e suas vaginas que pingavam em cima de minha barriga. Mulheres e suas aventuras juvenis. Mulheres e suas vozes que sempre me acalmavam em dias de fúria extrema. Mulheres e seus sms na primeira hora da manhã. Mulheres e seus desejos nunca correspondidos. Mulheres e suas angustias despejadas bem diante de meu coração fragilizado. Mulheres e suas promessas sempre vazias travestidas de amor eterno e esperança. Mulheres que amei. Mulheres que comi com talheres de prata. Mulheres que encontrei nas madrugadas esgueirando-me em calçadas. Mulheres das quais eu prometi trazer o mundo para dentro de suas fantasias e jamais retornei para reencontrá-las.
Quando se trata de mulheres, eu sou sempre uma promessa que jamais será cumprida.


Insônia, Renata Leão

Cazuza disse que “todo dia a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito”. Eu concordo.

É ao apagar as luzes, deitar e me cobrir que tenho um encontro, um emaranhado de frustrações, inseguranças, tristeza e vontade de continuar fugindo.

Até porque, ou não vejo solução ou não me vejo capaz de conseguir superar cada merda que acontece ou aconteceu na minha vida.

Esse encontro demora horas. É um encontro lento daqueles que mesmo tentando sair dele não é possível. Redes e mais redes de pensamentos negativos são lançadas nesse emaranhado.

Um desespero toma conta, a falta de ar caminha a passos lentos mas ainda assim, sufocantes.
Olho o relógio marcar 4:00 horas e digo para mim mesma ” é hoje que verei o dia clarear”, e me entrego de vez”.

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