O que te impulsiona a escrever?

O que te impulsiona a escrever?

Como você se sente sendo escritor?

O que te faz transbordar em palavras aquilo que você não tem coragem de dizer olhando nos olhos de outra pessoa? O que te move a esse processo de criação que impulsiona toda a sua força e te faz empregar em seus textos toda a potência que ninguém mais consegue?

Escrever é mais que um passa tempo, profissão, brincadeira ou obrigação… Escrever é transbordar pela vida e conhecer a nós mesmos o tempo todo. É lutar com nossos próprios demônios diariamente e nos questionar o tempo todo se estamos no caminho certo.

Mas afinal, qual é o caminho certo a se seguir?

Quando eu comecei a escrever eu não sabia bem o que eu tinha pra dizer e nem me preocupava se o que eu escrevia era bom ou ruim, eu apenas escrevia para gritar através das palavras toda aquela dor e aquela solidão que eu sentia de forma constante. Me lembro da minha infância e de como eu era calada e observadora, eu sempre estava pelos cantos da casa ou dos lugares de boca sempre fechada, apenas observando os outros rirem e falarem com a maior facilidade do mundo e eu sempre me perguntava e me pergunto até hoje, por que é tão difícil falar?

Falar é mais do que só abrir a boca e dizer a primeira coisa que lhe vem a mente, ao menos pra mim isso não funciona. Eu sempre penso milhões de vezes antes de dizer alguma coisa, mais do que pensar, eu sempre estou brigando comigo mesma, travando uma guerra de diálogos infinitos entre certo e errado e quando dou por mim, as cortinas se baixaram e as luzes foram apagadas.

Será que é mal de escritor pensar demais, falar pouco e escrever muito?

Eu não sei vocês, mas mesmo depois de superar a infância e entrar na adolescência, eu ainda carregava essa trava das palavras, e na adolescência foi pior. Porém, foi à época que eu mais escrevi na minha vida, exatamente quando eu me pus há muito tempo a permanecer no silêncio. Me lembro de andar pra cima e pra baixo com um caderno daqueles dado pelo governo e escrever tudo a lápis. Eram coisas pesadas, fortes, insanas… Tinha muito ódio e ao mesmo tempo muita solidão empregada naquelas palavras. Mas, estranhamente eu também escrevia muito sobre amor, ou melhor, o fato de eu sempre me apaixonar por pessoas que nunca me queriam, por pior que isso seja, sempre resultava em ótimos textos.

Enfim, eu cresci, me tornei adulta, hoje eu falo um pouco mais. Porém, eu ainda sou denominada como aquelas pessoas “bicho do mato”, que tá sempre só observando tudo calada esgueirando-se de todos para se manter em seu próprio casulo no silêncio absoluto, só esperando a hora de atacar.


Você é do tipo bicho do mato ou um tagarela desenfreado? Ou melhor, o que te motiva a escrever afinal?

16 comentários sobre “O que te impulsiona a escrever?

  1. Minha alma se desenha em cores e palavras musicadas em sentido torpe do sentimento. Não consigo frear esse gêiser. E você, terminou de ler o Vipassana? Abraços Maria Vitória, eu ando concentrada em corrigir e ilustrar livros mas por vezes escrevo as novidades. Beijo

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    1. Oi Mara, em breve postarei a resenha dele. Gostaria de colocá-lo na minha Estante Virtual indicando a leitura e a compra dele através da Chiado Books posso?

      Aqui dentro do blog tem uma categoria chamada Estante Virtual e eu quero preencher ela com Novos Autores da cena literária e seu livro ia ficar uma beleza nessa estante.

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      1. Perfeito vou colocar então. Vou indicar aos leitores onde eles podem encontrar seu livro no site da chiado e indicarei seu blog para que eles possam ter um contato direto com você. Além é claro da resenha do livro.

        Gostaria de saber só mais uma coisa. Por um acaso você me concede uma entrevista para que eu publique aqui no blog? Tenho algumas perguntas com relação ao livro e sua vida como escritora! Te mandaria as perguntas por e-mail e assim que você respondê-las eu as postaria por aqui.

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  2. Sou tagarela mas somente depois de muito observar e ter a certeza que piso em solo firme. Caso sinta insegurança, me fecho novamente. Escrever para mim significa necessidade básica. No entanto, devido a tantos acontecimentos, transformei-me em pedinte. Quero me expressar mas falta-me o alimento certo para transformar em energia positiva. Até escrevo mas não me satisfaz. Mas como uma droga, não consigo ficar sem escrever. Mesmo que engavete ou guarde nos rascunhos. Leio e escrevo. Escrevo e leio. E penso, e penso, e penso e…

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    1. A escrita usada como uma droga é um belo meio de se viciar em uma coisa boa e não prejudicial a saúde.

      Gostei de saber que você é também do estilo (penso, penso, penso, penso…

      Ótima quarta-feira querida!

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  3. Ah, Maria Vitoria. Também sou um calado inveterado que desembucha nas linhas. Mas, este modo de ser é tranquilo para mim. Gosto de falar o pouco que falo (tah! gostaria de falar mais) e de escrever o muito que escrevo. Abraço.

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  4. A escrita sempre foi um refugio para mim, assim como copiar desenhos. Hoje ela é o ato de tornar palpável o que sinto, de esvaziar o peito, a alma, a mente e vomitar. Vivo em um estado permanente de enjoo, não há Dramin que resolva, por isso a escrita me consola.

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  5. Eu sou aquele paradoxo tagarela e ao mesmo tempo calada. Tagarela POR SER calada. Eu sempre escrevi, e hoje acho que escrevo para não calar, para não guardar só para mim. E para enxergar.

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