Vipassana, de Mara Romaro

Vipassana, de Mara Romaro

Era tarde, porém ainda era dia. Sol a pino, ruas a fervilhar em mares de corpos frescos e sedentos. Peguei o elevador, subi até o décimo primeiro andar, sentei-me em frente à piscina, retirei os sapatos dos pés, os molhei de forma rápida, retirei Vipassana da mochila, olhei novamente para os arredores de mim, deite-me com as costas coladas ao chão, olhei para o sol, me entreguei à leitura.

Os títulos, o formato, o tato, as cores, as palavras, as folhas, as angustias, a tentativa, a luta contra o tempo, a solidão, as memórias… Tudo em Vipassana é ardido e certeiro. Cada linha escrita é mais do que apenas linhas ou um amontoado de palavras que se deslizam por entre os olhos, cada poesia contida nesse livro é uma espécie de alvo certeiro no contra ponto das memórias e emoções.

“Antes, sim, havia o fácil. Com todos os problemas de antes. Muitos momentos que fugazmente sumiram com as minhas lágrimas ou qualquer bocejo”.

Trecho do poema: Desenho do Portão Lateral em Sépia

Impossível não entrarmos em nós mesmos para escavar nossas próprias relações maternas e depararmo-nos com o contato direto ou indireto que tivemos com nossas mães que nos moldou de uma forma penosa ou nostálgica. Quando li este livro de, Mara Romaro foi mais do que apenas ler para esquecer, depois que as frases se acabam. As poesias empregadas na obra vão além do que estamos acostumados a encontrar em livros de poesia. Aqui não existe métrica ou rima, a única coisa que você encontra neste livro são desenhos transcritos em forma de subjetividade.

“A dependência dela me constrói. E desconstrói. Minha outra mãe adentrou minha vida, percorreu muitos caminhos e quando percebi, fui arrastada nesta vazão magnética involuntária de ambas as partes.”

Trecho do poema: Desenho infantil de crayon

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Vipassana, termo sânscrito, em tradição budista significa insight na natureza da realidade e existência, significa também “as coisas como elas são”, e há a meditação que significa caminho que conduz ao incondicionado. Vipassana conta história desses vislumbres, suas consequências, âmbitos através dos desenhos que simbolizam artisticamente o elo afetivo em cartas e desenhos em um diálogo interno.

Nunca eu poderia esboçar o que aconteceu. Vislumbres que se derramaram feito tinta em minha visão e escorreram em meu íntimo, em nuances e grandes impactos na minha vida e alma.

O que você faria se recordasse fatos sensíveis que não viveu, com alguém com quem se deparou na vida?


Mara Romaro, escritora, poetisa e desenhista, nascida em Atibaia – São Paulo – Brasil.

Na infância iniciou escrita, desenhos e aquarelas. Escreveu poesias, cartas, textos (poéticos, ficcionais e pensamentos), contos e diários; que incorporam suas ilustrações de técnicas mistas (lápis, giz, aquarela, tintas acrílicas, nanquim).

ONDE ENCONTRAR O TRABALHO DA AUTORA

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6 comentários sobre “Vipassana, de Mara Romaro

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