Sarar e desprender, desprender e sarar

Às vezes, a minha alma pede desprendimento
E eu cá, obedeço.

Me lanço da vaga e exata latência
Entre não temer quase nada
E estar em paz
Elegendo minha melhor face:

Processo as minhas angústias bebendo conhaque
Em doses homeopáticas e as sentindo doer.
Latejam os dedos, os sonhos e lateja o pâncreas.

Ai, resinifico até o muito específico
E quando ninguém me vê,
Abaixo, curvo meu corpo nu e lambo as minhas próprias chagas

É ali que tudo sara,
É ali que tudo solta.

Autora: Jaisy Cardoso


Sou Jaisy Cardoso, mulher negra, estudante de Letras da UFBA e professora, tenho 21 anos e sou natural de Salvador. Nasci e cresci no bairro do Dique do Tororó, muito presente em meus escritos. Sou libriana, sou filha mais velha tanto de meu pai, quanto da minha mãe. Escrevo desde sempre, mas só publiquei recentemente. “Corpo que queima” é uma antologia onde eu e mais quarenta mulheres queimamos poesia em todos os sentidos. Saiu pela Appaloosa Book, em formato de e-book e está disponível para download gratuito.


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