Mulher existo, Mulher resisto

corpo, o corpo dói, o corpo é isso ou aquilo

o sangue cai, a hora passa, a manchete fala

o sangue? o sangue não cala

mesmo quando sufocam, escondem, perturbam, abafam,

e jogam nossas palavras numa vala

o sangue, o suor, a voz se espalham.

existo, e existir é pouco,

então eu sou e transbordo

mas ainda não basta,

então me refaço e existo

me refaço, me reforço e resisto.

desafio, no que me limitam

e desfio nos dentes o medo e os riscos.

Autora: Ana Mendes


Ana, 21 anos, estudante. Escrevo porque quando escrevo me confronto e me conheço. Escrevo porque acredito que a poesia e a literatura têm um potencial enorme de percepção e criação da realidade, são sim objetos transformadores da sociedade. E em um contexto onde a voz da mulher enfrenta sempre ruídos e restrições, fazer poesia e com isso ampliar essa voz já é uma revolução, mesmo que miúda às vezes.


Um comentário sobre “Mulher existo, Mulher resisto

  1. No mínimo, muito interessante. Achei uma coincidência impar: escrevemos pelo mesmo motivo. Escrevemos porque a gente transborda. Eu entendo muito bem o que quis dizer com isso. Escrever é necessário… Quase que um ato involuntário. Gostei MUITO!

    Curtido por 1 pessoa

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