@a_estranhamente

Era eu, com o microfone nas mãos?

Quando eu falo de mim a voz embarga.
Um nó de ar, pesa na garganta.

Pingos se acumulam na ponta de um precipício,
Enquanto em frações de segundos,
O corpo tende a mergulhar na imensidão de si.

Era eu, com um microfone nas mãos,
Enquanto infinitos olhos me procuravam no tropeçar das palavras?

Falava eu sobre o cinza.
O cinza nos textos, o cinza no amor,
O cinza.

Passei o microfone e encerrei minha fala.
Fui para o bar beber,
E deixar meu corpo tropeçar em corpos de almas vazias.

Ao final da madrugada, com os olhos a fitar o teto branco,
Deixei desaguar o que a coragem não me permitia.

Tudo o que tinha de escapar de mim caiu…
Em silêncio,
Em declínio,
E sem paraquedas para amenizar o pouso dos voos emocionais.

Era eu, enfim, no silêncio mudo,
Sozinha, tão pequena, no escuro.

Para sempre.

4 comentários sobre “Era eu, com o microfone nas mãos?

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