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Transcendência, por Liliana Ripardo

Quando pequena me ensinaram que não deveria permitir ninguém me tocar de forma estranha, em locais inapropriados. Disseram-me que depois de uns anos eu sangraria todo mês como lembrete sobre ser mulher, mais que o “lembrete mensal” não é sinal de franqueza e sim de poder.

Um pouco mais velha, na adolescência, compreendia a força que meu não continha e que esse deveria ser acatado. A roupa que visto, a cor do meu batom não é convite pra psiu, muito menos pra sexo, quiçá me forçar a fazer sexo. Entendi o poder do Não ser Não.

Aos vinte e tanto me apaixonei, me perdi. Enlouqueci, casei. Fui tola, boba. Ludibriada, traída. Humilhada. Sufocada, agredida. Arrasada, destruída. Destruída?

O que acontece na história mitológica da Fênix, após sua destruição? Ressurreição. A força me tirou do abismo obscuro. Ressurgi das minhas cinzas. Sou a encarnação da Fênix. Ou melhor, sou a própria Fênix. Renasci. Sobrevivi.

Ser mulher é personificar a resistência. Insistir na sobrevivência – na sua. Ser mulher é transcendência.


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2 comentários sobre “Transcendência, por Liliana Ripardo

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