Fragmentos acinzentados

Hoje é um daqueles dias em que eu não consigo olhar as pessoas nos olhos e nem consigo formular mais que três palavras.

Meu estômago embrulha junto com o ar que transpassa nas esfinges do dia. É tudo pendular e exaustivo, a tal ponto que ao final da tarde, mergulho minha própria boca e dentes, em vômitos rajados de restos apodrecidos.

Tudo dói por dentro. É como se um martelo pregasse minha essência e me enterrasse numa profunda solidão sem feixe nenhum de esperança.

A cabeça dói. Os músculos doem. Minha pele envelhece na medida que os segundos passam.

Não há sorrisos, gargalhadas ou risos frágeis. Tudo o que sou hoje é um punhado de carcaça putrificada abandonada a própria sorte.

Sinto vontade de cravar duas balas em meus olhos. Meu útero despenca para um lugar mais baixo que o próprio vértice da terra.

Nenhum ato de amor ou solidariedade, é capaz de me salvar de mim ou retirar essa lástima dos meus ombros cansados.

Só por hoje, morro aos poucos, despetalada em migalhas e escarro.

Um comentário sobre “Fragmentos acinzentados

  1. Quando me sucedem esses dias, deixo o tempo passar. Respirar ar puro me realimenta. O crepúsculo sempre me diz algo bom. Sentir frio, ajuda. Nos faz conscientes de nosso corpo externo, exposto à intempérie. Escrever, ajuda a expurga e lamber as feridas. Estamos juntos…

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