Jessabelle – O passado nunca morre

Pela colunista, Mara Vanessa Torres

Mistério sombrio e bonecos de vodu

Pântano e segredos do passado se misturam na trama desenhada por Kevin Greutert.

Escolhi ver Jessabelle (2014) com total descompromisso, o que significa que não estava esperando nada. Simplesmente selecionei a película no catálogo da Netflix – por sinal, o catálogo brasileiro é 30% menor do que o norte-americano, por exemplo – e concentrei a atenção. Explico tal reação aparentemente desinteressada: terror tem sido um gênero escamoteado já faz algum tempo. As temáticas se repetem, remakes péssimos e malabarismos quase infantis são alardeados como inovações, abusando de jump scares. Assistir a um filme original, com bom roteiro e que não abuse de técnicas manjadas é pedir demais.

Para a minha surpresa, não é que Jessabelle flui bem? Assinado por Kevin Greutert (Jogos Mortais 6 – 2009 e Jogos Mortais: O Final – 2010), a trama desenrola a história de Jessie Laurent (Sarah Snook), jovem que sofre um grave acidente e volta a morar com o pai, um sujeito ausente e longe de apresentar as melhores condições psíquicas.

Jessabelle – O passado nunca morre (2014) – Kevin Greutert (Review)

Na casa antiga da família, local onde a mãe morreu e tudo anda sujo e descuidado, a jovem presencia aparições e energias sinistras. Ao encontrar fitas VHS de outros tempos, em que sua mãe aparece lendo cartas de tarô, Jessie descobre que há mistérios diabólicos rondando o seu passado. Ao reencontrar um antigo amigo-amor da adolescência, pede a ele ajuda para desvendar os segredos enterrados de sua família.

O filme consegue contar a história sem cair tanto em clichês – ainda assim, ele derrapa em cenas pra lá de rocambolescas -, e a narrativa pausada, lenta, engatinhando em certos momentos pode cansar um pouco. Há também um final-surpresa (não se torna tão surpresa quando você mata a charada na metade do filme, mas vamos dar um voto de confiança, não é mesmo?).

A parte negativa fica por conta dos estereótipos formulados em torno da prática do vodu e da falta de aprofundamento em personagens que poderiam desenrolar enredos paralelos interessantes, como a ligação da mãe de Jessie com uma religião e ritualísticas diferentes de todo o seu círculo social. No entanto, na maré de resíduos plásticos que andam rondando o gênero, “Jessabelle” não se saiu tão mal assim.

JESSABELLE O Passado Nunca Morre Trailer Oficial

Acompanhe a colunista, Mara Vanessa nas Redes Sociais

BlogInstagram

Conheça os livros da Mara Vanessa

Um comentário sobre “Jessabelle – O passado nunca morre

Comente sobre isso

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s