Pós Flip 2019

Mês passado rolou a festa literária mais esperada do ano para todo escritor: FLIP 2019.

E hoje a escritora, Samira Calais que estavam presente nessa festa realizada na cidade do Rio de Janeiro em Paraty, nos conta como foi sua experiência ao participar desse evento.

Era começo do mês de junho quando meu companheiro me perguntou: “Você vai na Flip?”. E eu sinceramente não soube muito bem o que responder. Tinha vontade, mas nunca tinha ido. Era algo muito distante, até mesmo como ouvinte. Mas, mesmo pensando assim, eu respondi: “Tô querendo ir”. 

Algumas semanas depois, quando percebi, estava combinando detalhes da participação como escritora em duas mesas diferentes, uma pelo livro Cadernos Negros e outra com o grupo de escrita que faço parte, “Flores de Baobá”. 

Ainda é difícil colocar em palavras precisas o que significou estar lá. Pelas ruas de Paraty, muitas pessoas brancas e elitizadas. Poucas pessoas negras andando pela cidade, mas esse ano, surpreendentemente, nas mesas principais importantes mulheres negras participaram, como Grada Kilomba, Grace Passô e Jarid Arraes, entre outras. 

Enquanto isso na “Casa Poéticas Negras”, brilhantemente idealizada pela Angela Damasceno, entrava e saía a cada instante mulheres negras escritoras, mulheres negras ouvintes, mulheres negras empreendedoras. Estar ali com outras autoras dos Cadernos Negros me deu uma sensação de pertencimento, de estar com a minha gente: mulheres negras que escrevem. Ter um lugar desse no meio de uma Flip tão branca foi muito significativo. 

Já na “Cadeia Literária”, eu, junto com minhas irmãs do coletivo “Flores de Baobá”, falamos sobre a mulher negra à margem da literatura. Foi uma conversa densa e necessária sobre o lugar da mulher, com mediação da querida Sandra Regina. Aquele foi um lugar de resistência literária e de um público atento e emocionado. 

Para autoras negras independentes estar na Flip não é simples. Nós nunca seremos reverenciada, comemoradas. É preciso chegar com os dois pés na porta e buscar esse espaço. Espaço que é nosso por direito e que pretendemos ocupar cada vez mais.


Samira é escritora e jornalista. Ela participou da coletânea literária: Eu, mulher, existo e resisto! Organizada por mim aqui no blog no mês de março e você pode baixar a coletânea gratuitamente.

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