Nucas. Pulsos e fibras

Todos os cangotes possuem o mesmo perfume. Fragrância está que se camufla entre linhas e tecidos e tece, meu coração em desalinho com as lembranças. Cá estou eu novamente, a seguir o cheiro que deságua perante minha passividade. Estou sempre a caminhar tentando não pisar em ovos, tentando não pensar no gosto dos seus pelos infincados no céu da minha boca. Ultimamente, tenho falhado tanto em prol do desespero, temendo sempre, por não buscar seus olhos ao tropeçar. Há sempre um eco em mim que esbarra nas memórias da temperatura do seu corpo, posso tocar o ar e sentir o vapor que cozinhava nossas peles perdidas entre lençóis. Por dois segundos, tento voltar a uma realidade concreta, tento negar ao máximo o doce cheiro do seu perfume em corpos que nunca foram o seu. Meu coração palpita. Respiro ofegante. Os dedos formigam.

Nunca é você nas nucas
Ou atrás das orelhas
Nem nos pulsos
Ou nas fibras de cada memória nunca curada.

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