Um pouco de ausência e bastante de depressão!

Já faz algum tempo que ando olhando o mundo sem perspectivas. Ainda ando seguindo a mesma rotina, acordando razoavelmente cedo, fazendo alguns trabalhos, indo para estágio e depois pra faculdade. Mas, aparentemente a cerca de duas semanas pra cá, venho passado por essa rotina e me sentindo vazia. Digo isso, porque notei uma perca grande de tesão com relação as coisas que eu vinha criando e faz um bom tempo que não escrevo aqui pro blog ou produzo algum conteúdo para as outras mídias. Por mais que eu esteja todos os dias postando coisas no Instagram, todo santo dia eu olho pra essa rede social e sinto uma vontade enorme de abandonar tudo e fazer um Detox das redes sociais. Parece que absolutamente tudo é tão monótono e tão sem graça, não importa o quão diferente as coisas sejam, tudo é vazio e insignificante.

Porém, numa tentativa de contra proposta de pensamento, reflito sobre esse tal de setembro amarelo e como isso vem se acoplando no meu peito ao longo dessas últimas semanas. Às vezes, eu sinto vontade de fazer um monte de publicações a respeito e trazer a tona diversas discussões para que possamos refletir não só sobre o tal “mês amarelo”, mas sim, sobre as deprês que assolam a nossa vida todos os dias do ano. Por outro lado, eu penso em não dizer nada a respeito e ficar em silêncio, só esperando a minha própria depressão se ausentar a aparecer novamente só no próximo mês. Sei lá, tudo é tão “sei que nada sei”.

As coisas que eu produzo são muito boas, tanto os textos quantos as fotografias, os vídeos e etc… mas, aparentemente eu olho para a humanidade e mesmo olhando fixamente um homem comendo restos de comida do lixo na frente de várias pessoas e ninguém se quer muda a própria feição ou então, enxerga o homem, mesmo assim, eu não consigo sentir nada, me sinto extremamente vazia enquanto a isso. Se fosse antes, eu diria que daria uma puta crônica, mas hoje, observando essa cena, tudo é tão sem graça por mais que seja uma “desgraça”, e eu não sou capaz de escrever nada a respeito. E olha que esses últimos tempos eu tenho visto tanta coisa, passado por tanta coisa, sentido tanta coisa e ao mesmo tempo parece que absolutamente nada de novo tem acontecido.

Não sei, talvez eu esteja cansada. Só faltam três meses para que eu me forme em Serviço Social e eu não vejo nenhuma perspectiva com relação ao futuro ou a profissão de Assistente Social. Se bem que quando eu entrei na faculdade, o meu sonho era seguir na área e tentar de alguma forma mudar o mundo. Porém, agora que eu estou perto do fim tudo o que eu quero é colocar meu plano B em prática e seguir fielmente na area literária. Mas, sei lá também se isso vai rolar. Por mais que eu saiba que eu me daria melhor escrevendo e fazendo do mundo ao redor minha grande folha em branco, capaz de absorver qualquer nova perspectiva poética, parece que nada disso faz mais sentido. Todo santo dia me pego olhando para o céu em silêncio e penso quem diabos eu sou e porque diabos meu coração se sente tão vazio e solitário.

Setembro amarelo… Setembro amarelo… Setembro amarelo…

E eu aqui, com uma depressão fudida. Com um vazio existencial fudido. Com uma descrença miserável, há anos luz, antes mesmo de alguém dizer que setembro era o mês das causas depressivas muito prováveis.

Talvez eu fique um bom tempo sem escrever nada. Ou, talvez depois desse texto eu passe a escrever como antes, entre três a sete textos por dia. Quem é que sabe né? Pensando aqui comigo agora, tô lembrando daquela música do Emicida, “Amarelo” que diz: Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro”!

Eu realmente morri há alguns anos atrás e não quero morrer de novo, mas sei lá, talvez esse setembro seja foda como a quase morte ou seja incrível como uma possível nova vida.

… Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro …

Emicida

Olá, setembro! Como vai você?

7 comentários sobre “Um pouco de ausência e bastante de depressão!

  1. Na condição de quem trabalha com pré-adolescentes e adolescentes que vivem flertando com a depressão e com esta ‘ausência de sentido” (na adolescência também passei por esta fase), optei nos meus sonetos em nome da vida, escrever sobre o “setembro vermelho” que alerta sobre as doenças cardiovasculares, até porque minha tendencia à hipertensão é genética… amar- elo… ligar a vida ao sentido dela, mesmo que este não se revele facilmente…

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  2. Ao ler em alguns trechos pude lembrar da música de Arnaldo Antunes, “socorro”.
    “Socorro, não estou sentindo nada, nem medo, nem calor, nem fogo, nem vai dar pra chorar nem pra rir”.
    Me vi muito nesse texto, o vazio existencial e a falta de perspectiva, tanto em relação ao objetivo que nos levou a escolher um curso que visa questões sociais quanto a outras coisas são constantes. Força pra nós. Você é incrível.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Essa música é ótima. E esse lance de perspectiva, ainda mais quando se trata de um curso da area das sociais é foda pra caramba, mais é isso né… Seguir acreditando que 2020 seja um ano interessante pelo simples fato de ser números iguais hahaha
      Você é foda e te admiro muito também 😘

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  3. Ah, Maria Vitória, colocar os seus sentimentos para fora já é um primeiro passo – e um passo muito importante – para dar a volta por cima nesse sentimento de vazio. Eu também passo por esse tipo de crise e posso dizer que é por isso mesmo que tenho me dedicado tanto à escrita. Funciona como uma terapia para mim. Mas, como você, tenho os momentos de baixa na criatividade e fico com frequência questionando o meu papel como escritora. A vontade é de mudar o mundo sim, mas às vezes me sinto pequena demais para isso (e o mundo é grande demais para mim). Mas a gente segue como sempre seguiu. Quando a gente vê, já está escrevendo de novo. E se um novo texto mudar a gente no sentido de se renovar, e a gente é um pedacinho (pequeno) deste mundo grande, então isso não deixa de ser mundo o mundo, não é mesmo? Então, vamos em frente!

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    1. Seguimos né, entre picos altos e baixos, chorando e rindo, ficando sem escrever e depois escrevendo como se não houvesse um amanhã. A vida tem dessas de umas coisas doidas e a gente vai seguindo igual brisa que some junto com a poeira. Tudo muito doido esse lance de viver.

      Obrigada pelas palavras Mi ❤️

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