Magnetismo minimalista e inusual

“I Could Live in Hope”, debut dos norte-americanos do Low, encanta por seu desapego ao convencionalismo.

Pela colunista: Mara Vanessa Torres

Há músicas que são viciantes. Você dorme e acorda e elas estão lá, grudadas na sua mente como cola super bonder. “I Could Live in Hope” (1994), álbum de estreia da banda de indie rock Low, exerce esse fascínio há 25 anos. 

Formada em 1993 no estado de Minnesota (EUA), a banda apresenta nesse trabalho o apreço pelo minimalismo e pelos ritmos cadenciados. Participam da formação original Alan Sparhawk (vocais e guitarras) e Mimi Parker (bateria e vocais).

Vou concentrar os holofotes hoje no debut “I Could Live in Hope” que, para mim, é o álbum mais especial da banda – e espero que não tomem isso como uma ofensa ou pensem algo do tipo “Ah, qual é? Em 25 anos, o nosso melhor trabalho é o primeiro?”.

Curto muito esse trabalho pelo clima indie que flerta com o que hoje chamamos de shoegaze e dream pop. Há influências claras de nomes como Joy Division, e a economia no uso da linguagem, com refrões que se repetem e letras curtas – além do uso minimalista dos instrumentos – só me agradou.

Nas onze faixas, nos sentimos próximos de quem canta as histórias, não sem certo desencanto e melancolia. Essa aproximação sentimental feita sem esbanjamentos impressiona até hoje. Não há virtuosismo ou sons mirabolantes em ‘I Could Live in Hope’. Os dedilhados são entrecortados, as vozes se deslocam de forma subterrânea e o vapor onírico de faixas como ‘Slide’, ‘Fear’ e ‘Lazy’ hipnotizam. ‘Down’, ‘Cut’, ‘Drag’ e ‘Rope’ ganharam meu entusiasmo depois de algumas audições, justamente por vibrarem como uma corda de aço. ‘Sunshine’ é linda e amorosa, trazendo aquela sensação de frescor do verão, mas é com ‘Lullaby’ e seus mistérios que me encanto. Essa é a minha faixa preferida.

“I Could Live in Hope” foi bem recebido pela crítica e é considerado a ‘pegada cult’ da banda, entre doze álbuns de estúdio, alguns gravados ao vivo e uma boa lista de singles e EPs – além das famosas compilações.

Pessoalmente, coloco esse trabalho do Low na lista dos melhores álbuns dos anos 1990. Ouça na íntegra:

“I Could Live in Hope”

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