Tá todo mundo com falta de afeto no peito, isso sim!

Aparentemente, escrever é um ato libertador. Digo isso, pelo fato de ter voltado a escrever para o blog ontem. Depois de ter conseguido tal façanha, no final da noite voltei pra casa pensando no que eu escreveria hoje pela manhã e o mais legal nisso tudo é saber que mesmo que eu achasse que não, talvez eu tenha muita coisa a dizer sobre um monte de coisa a tempos aqui dentro entaladas.

Lembro de ter saído de casa no fim da tarde num stress monstruoso, sem ao menos me despedir de forma descente da minha namorada. Eu estava com uma pressa de mil forcas, precisava carregar o bilhete único e estava orando para que o passe livre de estudante tivesse caído, já que eu não tinha um único centavo no bolso nem pra comprar uma pinguinha, coisa que eu gosto muito de beber. Antes eu bebia mais, na verdade, eu bebia muito mais do que agora. Infelizmente, já fui alcoólatra e só me dei conta disso durante um evento de Reggae que tava rolando numa favela aqui perto de casa. Aquele dia foi foda e eu disse em voz alta, primeiro pra mim e depois para Carolina que eu era alcoólatra já havia anos e nunca tinha admitido pra mim mesma. Não pedi ajuda nem nada e também não estendi o assunto, só fiquei observando todos aqueles jovens, cheios de álcool e outras drogas na cabeça e olhei pra dentro de mim na intenção de assumir o que eu era.

Enfim, passados a parte… Ontem foi legal. Uma artista que me segue no Insta gravou um vídeo recitando meu poema: Olhar. Fracionar se redimir e ter visto aquilo me fez pensar no quanto as coisas que eu escrevo são uma puta brisa doida e ao mesmo tempo, são boas pra caralho. Eu mesma tenho uma dificuldade imensa de gravar vídeo e mostrar um pouco mais de mim nessa terra perdida chamada internet. Mesmo que eu publique coisas todos os dias, é extremamente raro eu mostrar meu rosto ou associar a minha imagem a algo que eu publico, por mais que eu saiba que pra poder levar meu trabalho como escritora adiante e conquistar novas coisas e pessoas, é preciso se mostrar mais e etc… Mas, eu não gosto desse tipo de exposição, sei lá, fica parecendo que o mundo pode te controlar e observa cada passo que você dá e isso me assusta pra cacete. Se eu mal me olho no espelho, a não ser pra arrumar o cabelo ou limpar as remelas do olho, imagina todo santo dia ficar expondo minha cara pra um monte de gente que eu nunca nem ouvi falar, chega me arrepio aqui, enquanto bebo um gole de Skol gelada às 10:58 da manhã de uma terça-feira.

Pra finalizar, hoje é o terceiro dia de setembro e ontem eu postei algumas coisas sutis sobre o tal “setembro amarelo”, e acho que isso me fez bem apesar de tudo. Falar sobre depressão ainda é um baita tabu e geral finge que não sente, que não sabe ou que não conhece alguém que sofre dessa doença, mas no fundo no fundo, tá é todo mundo com uma baita solidão no peito e uma tristeza gigante nas lágrimas que escorrem dos olhos e nem faz ideia que tudo isso é falta de afeto, diálogo e muito culpa de um sistema capitalista.

Talvez amanhã eu volte aqui e escreva algo mais sutil e menos infeliz. Ou não também, e tudo bem!

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