Que tipo de influência nós somos, quando o assunto é depressão e setembro amarelo?

Ontem fui ao mercado comprar maionese pra fazer um patê com mostarda, ketchup e cebola, uma das minhas melhores habilidades culinárias. Nessa de escolher dentre várias opções, acabei também passando no corredor de bebidas alcoólicas e peguei uma cerveja que eu ainda não tinha tomado: “Colorado Ribeirão Lager”; “cerveja clara com laranja”.

Voltando pra casa, dei prosseguimento num trabalho da faculdade, no estilo bem quinta série, com cartolina, recortes de figuras e tudo… E, dentre uma passada de cola e outra, misturando alguns goles, acabei fazendo uma foto no estio vintage da tal latinha que eu havia comprado e acabei postando essa imagem no meu Instagram. Porém, quando eu já estava a caminho da faculdade, sentada num dos bancos de um carro do metrô com as pessoas brancas me olhando e preferindo se sentarem em outros lugares ou permanecerem de pé, enquanto havia lugar vago ao meu lado, me dei conta da legenda que eu havia colocado na fotografia que dizia: “recomendo fortemente”.

Recomendado para maiores de 18 anos

Mas, nessa de pensar nas pessoas que se afastam de mim, na cerveja nova, no lance de que uma mulher negra desconhecida sorriu pra mim e que por um passado nunca pensado, eu me relacionei ao longo de toda minha vida, na sua grande maioria, com mulheres negras, tudo isso me fez pensar sobre como a legenda da minha foto poderia causar um impacto negativo e que talvez, eu estivesse incentivando o uso de bebidas alcoólicas, uma vez que diariamente, um número entre 120 a 150 pessoas acompanham os meus “Stories” todo santo dia e, dentre todos esses homens e mulheres, que metade eu conheço da “vida” e a outra metade eu conheço da “internet” ou mesmo, não faço ideia de quem sejam ou como foram parar ali… Talvez, o fato de recomendar alguma coisa pra toda essa gente não tivesse sido uma coisa bacana e já que estamos no tal “Setembro amarelo”, quem sabe seria a o momento ideal pra fazer daquela publicação uma coisa além de uma simples postagem comum e sem perspectiva como qualquer outra, que é usada somente para mostrar uma marca ou produto em troca de um “status imaginário”.

Com tudo isso na mente, eu resolvi durante as apresentações na sala de aula, criar uma sequência de Stories que pudessem conscientizar as pessoas de que:

“Caso alguém fizesse o uso de álcool, nem que fosse apenas uma cervejinha por dia de forma sagrada, talvez estivesse rolando alguma coisa não muito legal na rotina dela e que conversar com alguém que ela confia ou procurar um serviço ou um profissional capacitado, seria uma coisa bacana a se fazer para obter um direcionamento sobre como diminuir a ingestão de álcool nessa coisa doida chamada “vida”.

Porém, muito me surpreendeu o fato da minha pessoa, mulher contemporânea, cansada e que se acha a “idosa do rolê”, apesar de só ter 28 aninhos, ter postado aquelas palavras e ter alertado a quem me acompanha sobre a ingestão de álcool, uma vez que eu bebo e não é pouco e às vezes, bebo também sagradamente todos os dias. Mas, até que hoje eu bebo muito menos do que um passado não muito distante, e quando eu digo “não muito distante”, eu me refiro a menos de um ano…

O que eu quero dizer com isso tudo é o seguinte: A depressão é uma coisa que acopla no peito da gente e vai tomando forma no nosso coração inseguro e solitário e quando damos por nós, já se passou tanto tempo que não fazemos ideia de como chegamos em determinadas situações e o porquê, nos sentimos cada vez mais vazios e tristes, mesmo em dias repletos de raios de sol e arco-íris. Mesmo que tudo esteja lindo, vez ou outra a gente acaba entrando num vértice enorme que não fazemos ideia de como sair dele e ninguém é capaz de nos salvar, porque temos tanto medo de ser tido como “louco”, “incapaz”, “fraco”, “descartável”, que acabamos ingerindo pra dentro da gente várias coisas do mundo e o álcool é a porta de entrada com mais fácil acesso, perigosa e traiçoeira da qual eu já conheci.

Fotografia em dupla exposição – Projeto autoral

Beber é legal, claro que é. Mais caso você beba todo santo dia, “sagradamente” nem que for uma latinha por dia, pode apostar que têm alguma coisa muito errada acontecendo na sua rotina que acabou prejudicando não só sua transição com relação à sociedade, mas também, seus sentimentos e suas emoções e isso sim pessoas, isso é perigoso e maligno pra caralho!

Se cuidem, falem como vocês se sentem para pessoas que vocês confiem, sei que falar sobre o que a gente sente é uma coisa extremamente difícil, mas acreditem, isso pode salvar a vida de vocês. E o mais importante, caso você perceba que faz o uso de álcool e outras drogas, mesmo que de modo periódico, seja em casa ou somente quando está fazendo uma “social com a galera”, procure se informar melhor sobre os efeitos e danos colaterais que cada substância psicoativa é capaz de gerar no organismo e principalmente, nas relações construídas na sociedade.

Bebam com moderação e discutam mais sobre depressão, para que ela deixe de ser um “tabu” e possa ser vista como uma coisa realmente séria, como de fato ela é.

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