Talvez, ser escritor seja uma espécie de maldição!

Olhando pela janela nesse exato momento, fico pensando em todo o processo pelo qual passamos todos os dias e que acabamos nos esquecendo de contemplar. Às vezes, a gente fica tão focado no término do dia, em voltar pra casa e descansar nosso corpo cansado, que nem acabamos nos dando conta que durante vinte e quatro horas a gente fez um zilhão de coisas e viu mais um trilhão de coisas, mas ao final do dia tudo o que importa é o descanso, um banho quente, uma comida gostosa, uma rede social pra relaxar e se possível, um carinho entre pés e lençóis com uma sequencia de sono calmo e profundo…

Digo isso, por que semana passada eu estava com a alma andarilha. Sabe quando a gente quer sair por aí sem rumo e sem direção, não fazendo ideia que caminho seguir mais com o coração tão vulnerável e cheio de esperança que nós nos pegamos caminhando entre ruas e pessoas, observando os detalhes da cidade, sentindo a energia das coisas e a gente vai seguindo em silêncio, bem quietinho, como se não existíssemos, mesmo que nossa maior vontade fosse começar uma nova vida naquele exato momento. Você também já se sentiu assim?

Entre andanças, sentimento de vazio e solidão, peguei vários ônibus, andei por diversas ruas, apenas captando a vida em seus mínimos esboços e possibilidades. Cara, é engraçado quando você está a andar sozinha, só você e um pequeno caderno para anotar os pensamentos, talvez escrever uma crônica ou um poema, ou mesmo, quando você se senta em plena quatro horas da tarde num bar próximo a Avenida Paulista, em pleno sábado de sol e você percebe pela primeira vez que tudo o que existe na face da terra são lembranças… A vida é uma eterna lembrança, por mais que a gente faça mil coisas, vá a mil lugares e conheça mil pessoas, ainda assim, tudo não passa de lembranças que ficaram na nossa mente por três períodos de tempo: Um curto prazo, um médio e um pra sempre.

Lembranças de um final de semana

Dentre esses três períodos, a gente vai abastecendo nossas emoções com tudo o que a gente absorve, com todos aqueles olhos que nos olham, com todas aquelas vozes que ouvimos e nessa eu fico me perguntando, será que é mal de escritor carregar tudo o que acontece pra dentro do peito antes mesmo de anexar na mente tudo o que foi visto ou sentido? Não sei você, escritor(a) que me lê, mas em mim tudo gruda de tal jeito e meche tanto com minhas emoções e minhas energias, que fico a imaginar se isso não é uma espécie de maldição! Eu amo poder captar todas as coisas ao meu redor, mas fico perplexa como tudo o que acontece vai direto para as minhas veias e depois fica bombeando pra dentro do meu coração. Fica tudo pulsando num compasso que varia entre pânico, medo, dormência e poesia…

Talvez tudo isso aconteça, porque eu passei a maior parte da minha vida em silêncio. Sempre fui uma criança que quase nunca falava e que era tida como estranha e louca. Até hoje em dia eu falo pouco, a não ser quando eu bebo. De resto, eu evito falar, não porque eu seja estranha ou louca, mas é que às vezes eu prefiro o diálogo silencioso entre mim e o universo. Nessas, eu sempre acabo aprendendo bem mais do que seu eu entrasse numa dialética com outro ser humano.

Setembro só começou e o tal do “amarelo” ainda ruge dentro de mim como se todo dia fosse o último. Mas, antes de completar vinte e quatro horas, eu volto pra casa e fico olhando o teto em branco sob minha cama, vez ou outra, choro em silêncio contemplando a madrugada e depois eu durmo, sem tentar sonhar com um ontem que já foi ou com um amanhã que nem existe.

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