Cacique xamã iorubá

– Índios. Índios e seus tambores barulhentos. Vê? Ou melhor, ouve?

– Não ouço nada.

– É engraçado. Os índios passam em cima da sua caixa d’água, tocando seus tambores e fazendo seus rituais. Como você não consegue ouvir isso?

– Você está chapada. Muito chapada.

– Será que você consegue conversar com eles? Falar pra eles tocarem seus tambores um pouco mais baixo? Preciso dormir.

– Mais a gente não ia transar?

– Iamos? Continuar lendo “Cacique xamã iorubá”

O dia cai, o cinza desce

Vick amanheceu cinza, assim como o céu. Uma garoa insistentemente triste brincava nos vitros juntamente com a tempestade peralta.

– O que você tem hoje?

– Cinzura.

– O que é cinzura?

– Dias cinza. Alma cinza. Olhos cinza. Lágrimas cinza. Vida cinza. Continuar lendo “O dia cai, o cinza desce”

Puta, mãe e do lar

– Mamãe, você vai ficar fora a noite toda hoje de novo?

Doralice, com lágrimas nos olhos, ajoelha-se em frente a Clarinha e beija sua face.

– Sim, minha abelhinha. Mamãe vai ter que ir trabalhar hoje de novo, mas não se preocupe, assim que os primeiros raios de sol apontarem no céu, eu estarei de volta para você, ok?

– Promete?

– Claro, meu amor! Alguma vez a mamãe já deixou de voltar pra você?

– Não. Mas mesmo assim. Eu odeio quando você tem que ir… Continuar lendo “Puta, mãe e do lar”