Na favela tem gato preto

Havia uma viela e uma boca de fumo. Whisky, cocaína, cerveja, armas. Do nada da escuridão, Washington brota sorrindo com um brilho nos olhos de quem já havia me visto pelas ruas de terra. A suas costas, dois homens ainda se valiam pelo escuro enquanto cabisbaixos, seguravam sacos brancos de plástico, com farinha branca em pequenas cápsulas transparentes. Continuar lendo “Na favela tem gato preto”

O lugar em que escrevo

Corpos em formato de mar dão gás as linhas que adiante surgem em formato de redenção. Pés coloridos, ocos e brilhantes transitam pelos espaços que meus textos circulam, hora uma voz começa uma crônica, hora uma boca apoiada em latas de lixo mastigando a fome é tema de uma poesia de tonalidade crua. Ondas acaloradas que escorrem do amontoado de vida bailam de forma nefasta pelo ar que sutilmente me abraça apertado, meu esqueleto se estremece ao contato do vapor quente e úmido, meus lábios salivam um líquido pegajoso, minhas narinas se desplugam e correm para longe e minha mente evapora-se e voa… Continuar lendo “O lugar em que escrevo”

2 por cento. 8 minutos de sobra

O céu anuncia chuva forte. Árvores tentam decepar suas próprias raízes e fugir para longe. Pessoas aos montes brotam correndo desesperadas receosas por uma tempestade. Avisto um rosto conhecido e abraço o mais apertado que eu posso o corpo de uma mulher. Gotas pingam em minha camiseta polo cor de vinho usada pela primeira vez. Continuar lendo “2 por cento. 8 minutos de sobra”

Linhas. Feijoada. Fim de carnaval

Há dias que se iniciam em formato de flocos de neve e no decorrer dos ponteiros se tornam pingos de chuva e depois o céu manda uma breve tempestade, mas então quando você menos espera um único raio de sol desponta quando a noite esta prestes a dar sua graça. Continuar lendo “Linhas. Feijoada. Fim de carnaval”

Fome de pele. Lábios incolores de cola

A jugular dela pulsa tão impaciente enquanto um singular raio de sol num domingo repousa sobre as orelhas dela.

Fico bem de perto observando o sangue pulsando bravamente, imaginando o quanto de força é necessário para alcançar uma morte indolor. Continuar lendo “Fome de pele. Lábios incolores de cola”