Desafio Literário | O QUE RESTOU DO CHEIRO DA NOITE

Pela milésima vez, ele olha o relógio pendurado na parede. Faltam cinco minutos para que os ponteiros se encontrem no número 12. A janela está aberta e o ar fresco anuncia o início da madrugada. Bem, nem tão fresco assim, mas é tudo o que ele possui neste momento.

Segura a caneta e a gira entre os dedos, colocando na boca como se fosse um cigarro imaginário. O vaso de flores artificiais que o inquilino anterior abandonou no parapeito da janela continua lá, trepidando ao menor sinal de vento. Ele coloca as mãos na cabeça, estica os ombros e boceja. Meia noite.

Levanta da cadeira e vai em direção à estante. Abre um livro antigo e, entre folhas soltas com fórmulas matemáticas anotadas, retira uma fotografia. Ele a toca da forma mais suave que pode. Colocando-a próximo às narinas, inala um aroma imaginário que acredita que ainda está ali… O cheiro dela, tão sereno e feliz, risonho e potente, continua ali. Continuar lendo “Desafio Literário | O QUE RESTOU DO CHEIRO DA NOITE”