Eu Fragmentada

Eu Fragmentada

Eu escrevo para dar vazão, perante a falta de coragem que eu tenho mediante as diversas coisas que costumo enfrentar no meu dia a dia. Eu escrevo porque, necessito cuspir para fora da garganta todos os nós que me prendem. Eu escrevo, pois me reconheço como detentora de uma força maior que me impulsiona a passar para o papel, tudo aquilo que as outras pessoas querem não ver.

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Eu – Fragmentada

Procuro um modo de traçar essas linhas e tudo se torna difícil. Olho para uma tesoura cega e canetas coloridas enquanto uma frente fria toma conta dos bicos de meus seios. Há uma pequena pilha de livros empilhados que eu não consigo terminar a quase duas semanas e o prazo de devolução na biblioteca expira daqui a dois dias. Tenho fiapos de carne morta em meus dentes misturados com gozo, mas estou preguiçosa demais para manter uma higiene bucal adequada. Continuar lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

São 7h da manhã e o centro de São Paulo fervilha. Há corpos transitando com sacos pretos extremamente pesados empunhados em cima de carrinhos de mão verde. Observo crianças limparem os olhos recém abertos, enquanto mastigam o ar infestado de carne bovina de segunda qualidade. Camisetas da seleção brasileira são vendidas a preço de banana. Mulheres Islâmicas transitam com suas cabeças cobertas por lenços pretos com detalhes prateados em formato de borboleta. E eu, trago nos pulmões todo o medo de não voltar a ser aquela mesma pessoa que um dia fui, para casa. Continuar lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Trago lágrimas pesadas em meus olhos. Se respiro profundo demais, três ou quatro lágrimas escorrem. Se penso demais na vida, lágrimas se transformam em rios nunca antes habitados.

O sol se faz presente. Preciso do fundo de meu útero ficar o mais distante da realidade. Penso na desigualdade do mundo, na minha carcaça não mais seminova, no embrulho no estômago ao lembrar que a vida é uma merda fétida no solado de meus tênis sem sola, desgastados pelo intenso uso dos mesmos. Continuar lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Falida humanidade.

Bebo a rapa do tacho com gosto de detergente. A embalagem diz: sabor coco. Um senhor trás os olhos tristes pela terceira vez seguida ao tentar embarcar com sua cadeira de rodas em um ônibus laranja. Ninguém para! Continuar lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Tenho meus pulmões empesteados de mucosa verde. Não respiro decentemente a cinco dias. Caminho cada vez mais lenta por causa de meus parafusos e placas de metal… Continuar lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Triste estou.

Olho para mãos idosas e gentis sutilmente colocadas em cima de ombros cansados. Ombro e mãos se acompanham enquanto tragicamente são empurrados por uma pilha de corpos jovens e enérgicos. Continuar lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Copos brilhantes com estampa de unicórnio. Homem negro de joelhos expondo um mini livro de meditação budista. Sapatos verde musgo. Vozes sedentárias chafurdando um milésimo de dignidade no lixo. Continuar lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Tenho um braço roçando nas horas que foram postas sobre a mesa, e estes braços contém um sal amargo, daqueles que deixam a língua reclusa novamente para dentro da boca.

Olho para o reflexo que meus olhos atingem e estes mesmos olhos dão de cara com cílios pulsantes e gentilmente educados. Continuar lendo “Eu – Fragmentada”