Rosas vermelhas não alteram tempestades

O útero dói. Gota a gota uma enorme poça de sangue se forma e percorre o labirinto das coxas, canelas, pés… Sinto-me quente nesta sexta-feira tão fria enquanto uma garoa fina despenca do céu camuflando-se em minhas lágrimas mornas.

Debruçada em uma ponte observo a cidade, conto os passos dados por segundo na esperança de esquecer-me de mim por um breve infinito de tempo. Ao fechar os olhos, visualizo rosas vermelhas desabrochadas, dóceis, femininas… Continuar lendo “Rosas vermelhas não alteram tempestades”

Mulheres negras rasgando o verbo através da poesia

Ninguém liga pra mulher ou pra sua dor…

–  Tawane Theodoro

 

Nasceu pobre, preto, se fudeu, não é ninguém…

– Victoria Maria

 

Parece que dos filhos de Deus, eu sou bastarda…

– Patricia Meira

 

Era cada rajada, cada pedrada, que a cada fala dessas manas empoderadas eu quase sai da batalha meio tonta e desnorteada. Três manas pretas e periféricas, soltando a voz na primeira edição do Slam Resistência do ano.

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