Nucas. Pulsos e fibras

Todos os cangotes possuem o mesmo perfume. Fragrância está que se camufla entre linhas e tecidos e tece, meu coração em desalinho com as lembranças. Cá estou eu novamente, a seguir o cheiro que deságua perante minha passividade. Estou sempre a caminhar tentando não pisar em ovos, tentando não pensar no gosto dos seus pelos infincados no céu da minha boca. Ultimamente, tenho falhado tanto em prol do desespero, temendo sempre, por não buscar seus olhos ao tropeçar. Há sempre um eco em mim que esbarra nas memórias da temperatura do seu corpo, posso tocar o ar e sentir o vapor que cozinhava nossas peles perdidas entre lençóis. Por dois segundos, tento voltar a uma realidade concreta, tento negar ao máximo o doce cheiro do seu perfume em corpos que nunca foram o seu. Meu coração palpita. Respiro ofegante. Os dedos formigam.

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3 Poemas do livro: Depois do Outono de, Érika Freire

Depois do Outono, o livro de poesias da escritora e jornalista Érika Freire, lançado em 2018 pela editora Urutau.

Há algum tempo atrás, eu apresentei a Érika pra vocês aqui no blog, se você ainda não viu, aqui está o dia da estréia dela. Nesse dia, contei um pouco sobre quem é Érika Freire, o que ela faz, do que ela gosta e comentei um pouco sobre seu livro, Depois do Outono.

Hoje, eu trago pra vocês, 3 poemas de Depois do Outono para que vocês possam apreciar essa belezinha e conhecer melhor o trabalho da autora. Confiram:

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Fragmentos acinzentados

Minhas pálpebras descamam. Desço as escadas rolantes, com as duas mãos no bolso, ouvindo rap e esboçando sorrisos tímidos. Me peguei não prendendo mais o ar diante de olhos que me observavam. Era eu, sozinha rumo ao solo da terra, enquanto a minha direita, uma manada de corpos com dezenas de olhos, rolavam sobre mim. Eu, não mais sentia tanto peso e pesar.Mesmo com dezenas … Continuar lendo Fragmentos acinzentados