@a_estranhamente

Olhar. Fracionar. Se redimir

Olhos seguem os passos pelo lado de dentro das vitrines, enquanto os olhos que transitam do lado de fora no carregar de seus próprios calcanhares grossos e cascudos, não são capazes de notar que uma grande orquestra de olhos funciona a medida que um conjunto de “anormalidades”, passa pelos trilhos e se vai para sempre.

Do lado de fora alguém sorriu sozinho. Através dos vidros frágeis podia-se notar olhares de repulsa e asco. É possível ver através de uma invisibilidade superficial o quanto os olhos são o próprio reflexo de ódio subjetivo. Continuar lendo “Olhar. Fracionar. Se redimir”

Sorteio do meu livreto em parceria com o blog — Poesia em Fotografia

Eai, pessoal!

Tá rolando um sorteio no facebook criado pela autora, Deby do blog: Poesia em Fotografia. A Deby tá sorteando meu livreto de foto & poesia e mais um livro de contos, crônicas e poesias românticas que foi criado exclusivamente para a Bienal Internacional deste ano em São Paulo.

Dá uma conferida e participe!!! Continuar lendo “Sorteio do meu livreto em parceria com o blog — Poesia em Fotografia”

Capitão meu capitão

Homens com as costas coladas no cimento frio. Três crianças negras jogando bola. Ao longe um moletom rosa tenta sobressair o pescoço infantil que ninguém enxerga. Gays. Homos. Lésbicas. Travestis e bissexuais. Eu os vejo. Eu os observo. E os dedos masculinos pousam em cinturas famigeradas “femininas”. Ouço crianças gritarem enquanto correm pelo chão do Estado. E elas gritam: – É meu. É meu! Hora … Continuar lendo Capitão meu capitão

Rachadura pós sexo

Há uma rachadura na parede que encaro enquanto tenho meu corpo – nu – em cima do corpo de uma mulher.

Grudadas por suor em formato de cola é possível sentir as veias que sobressaltam nosso peito – pescoço – vulva.

Meus olhos estão fixos demais na rachadura. Fixos tão firmemente que duas gotas d’água pingam por cima dos ombros dela e caem diretamente no meu lençol azul sujo como todo o resto deste quarto.

Em minha mente eu só consigo pensar no quanto eu queria trepar até que minhas entranhas saíssem pelo meu grelo Continuar lendo “Rachadura pós sexo”

A democracia brasileira e o amor ao ódio

Um branco em tom de jaleco atravessa um muro preto. Um preto em tom de sujeira pisa num chão branco. Os dois tons se unem em comunhão a troca – uns vendem pinos e papéis – uns oferecem narizes e notas altas. Há pedras rolando nas mãos infantis. Há pedras que fumam. Há pedras que matam. Vermelho combina com olhos esfumaçados – que combina com … Continuar lendo A democracia brasileira e o amor ao ódio

Um outro corpo além do seu

Com quantos corpos nus vocês se deitaram até estralar seus próprios olhos para o mais longe que você pudesse alcançar?

Quantas vezes seus pensamentos atingiram nuvens imaginárias enquanto você tentava não sentir o suor de outra pele escorrendo em cima de lençóis baratos? Continuar lendo “Um outro corpo além do seu”