Rachadura pós sexo

Há uma rachadura na parede que encaro enquanto tenho meu corpo – nu – em cima do corpo de uma mulher.

Grudadas por suor em formato de cola é possível sentir as veias que sobressaltam nosso peito – pescoço – vulva.

Meus olhos estão fixos demais na rachadura. Fixos tão firmemente que duas gotas d’água pingam por cima dos ombros dela e caem diretamente no meu lençol azul sujo como todo o resto deste quarto.

Em minha mente eu só consigo pensar no quanto eu queria trepar até que minhas entranhas saíssem pelo meu grelo Continuar lendo “Rachadura pós sexo”

A democracia brasileira e o amor ao ódio

Um branco em tom de jaleco atravessa um muro preto. Um preto em tom de sujeira pisa num chão branco. Os dois tons se unem em comunhão a troca – uns vendem pinos e papéis – uns oferecem narizes e notas altas. Há pedras rolando nas mãos infantis. Há pedras que fumam. Há pedras que matam. Vermelho combina com olhos esfumaçados – que combina com … Continuar lendo A democracia brasileira e o amor ao ódio

O parafuso espana e a coluna entorta

Sobrancelhas grossas e negras.
Fortes. Muito fortes.
Dentes separados,
Cinzas como as nuvens.

A suas costas: cacos de vidro
A esquerda: muros
A direita: viela estreita
A sua frente: meus olhos cheios de sol. Continuar lendo “O parafuso espana e a coluna entorta”

Um outro corpo além do seu

Com quantos corpos nus vocês se deitaram até estralar seus próprios olhos para o mais longe que você pudesse alcançar?

Quantas vezes seus pensamentos atingiram nuvens imaginárias enquanto você tentava não sentir o suor de outra pele escorrendo em cima de lençóis baratos? Continuar lendo “Um outro corpo além do seu”

Terminal luz

As mãos e a ânsia andam apressados procurando os lábios que tanto tardaram a encontrar nossas bocas.

O cheiro exala o contraste da sua pele colada nos órgãos vitais do meu coração.

Nossos sorrisos estão agitados como cães que depositam sua felicidade em abrigos como recompensa. Continuar lendo “Terminal luz”

Foda-se. Vai tomar no cu. Foda-se novamente

Eu não consigo enxergar quem eu sou ou aonde é alto suficiente para que eu bata minhas asas imaginárias.

O mundo tem fome da minha essência covarde e eu tenho sede da sabedoria que eu mesma me emponho.

Estou vivendo longe da realidade já faz um tempo. Já faz um bom tempo que boto pra fritar meu próprio coro preto nas descargas das duchas refrescadas por conversas fortes demais para serem ditas à tona. Continuar lendo “Foda-se. Vai tomar no cu. Foda-se novamente”

Garoa nem sempre é sinal de chuva

Caçando livros de forma aleatória nas prateleiras, ouvindo Marisa Monte tentando não pensar em nada. Então sua mão brota de forma quase intocável em meu ombro, retiro meus fones como gesto de cumprimento e te alcanço um sorriso com aspecto de surpresa. Continuar lendo “Garoa nem sempre é sinal de chuva”

Gestão e Planejamento

Cobertas vão pelos ares bebendo da cor cinza das nuvens tortas.
Um corpo superaquecido pela graça dos sonhos de um amor falido.

Avisto mãos infantis catando migalhas de bocas que espirram desperdicio.
Às vezes o perdão da jovem fome só se encontra quando a palma negra refuça o lixo. Continuar lendo “Gestão e Planejamento”