Como teve inicio minha vida de leitora

Apesar de sempre gostar de escrever e usar da escrita minha válvula de escape, nunca fui muito de ler. O único formato que eu me arriscava a ler poucas linhas eram os gibis da Turma da Mônica. Até que, um dos frequentadores do antigo restaurante que minha mãe costumava trabalhar olhou para o que eu trazia em minhas mãos, fitou meus olhos e indagou: “Você não tem mais idade pra ler esse tipo de coisa, vá procurar algo mais maduro pra ler.” Eu só tinha sete anos. O que então, seria algo maduro para leitura? Continuar lendo “Como teve inicio minha vida de leitora”

Maratone-se #7

Aqui estamos nós no último dia da maratona de textos e eu percebi que funciono muito melhor quando tenho uma obrigação com a escrita. Sempre me ocorre de ficar dias, semanas e por muito azar, meses sem escrever um parágrafo se quer. Porém, sempre que acontece da Dona Lunna Guedes me lançar um desafio, isso é o suficiente para travar uma guerra espartana dentro de mim mesma e quando sento-me em frente a tela branca, é como se todo o poder do meu subconsciente viesse lindamente à tona.

Não tenho uma rotina para escrever. Não sou do tipo que só funciona em certos horários. Pode ser na madrugada em que os olhos não se pregam, pode ser voltando para casa sentada nos bancos das estações de metrô, pode ser enquanto observo às luzes artificiais da cidade da janela do nono andar, ou mesmo durante uma aula monótona e por incrível que pareça, até durante o sexo. Uma força maior me move e eu paro qualquer posição ou recepção ao gozo para correr em direção a algo que suporte minha mão pesada contornando linhas.  Continuar lendo “Maratone-se #7”

Maria Vitoria Francisca

Maratone-se #6

Os retratos passam pelo corpo de forma cíclica. Sorriso esboça vertigens num processo histórico que jamais poderá ser curado pelo tempo. Olhos caem num peso invisível enquanto o sol contorna o corpo feminino sagrado com tonalidades de absorção fragmentária exposta.

Corpo. Pende em moléculas frias.

A fumaça expele raízes fortes que fogem para grutas que sangram na interface da lua.

Terra. Água. Fogo. Ar. Mastigando-se entre si um projétil denominado; força.

Terra. Água. Fogo. Ar. Rasgando os ventres revestidos por paredes de flores semi aquecidas. Continuar lendo “Maratone-se #6”

Maratone-se #5

São Paulo, 21 de setembro de 2018.

Dia de feira. Pastel com ovo e cerveja de 575 ml de Brahma. Axilas transbordando o sol que a semana regou com chuva. Boleto da faculdade para pagar com doze dias em atraso. Vinho de dez reais de 1 Litro às 10:03 da manhã só para sentir fervilhar o fígado a muito tempo decomposto.

Lucca, eu nunca fui simpática aos trejeitos infantis e jamais cogitei ao fato de vaporizar o cheiro de johnson’s baby, mas quer saber? Eu bem que roubaria sua colônia para me banhar nos dias de temperatura de aproximadamente 16º graus.  Continuar lendo “Maratone-se #5”

Maratone-se #2

Pés podres e coluna estragada ao final do dia. Hoje foi dia de ensaio fotográfico no centro de São Paulo e o modelo da vez foi um ex colega de turma e futuro colega de profissão, Guilherme Gatti. Acertamos no relógio as onze horas da manhã pontualmente no inicio da praça Franklin Roosevelt. Fazia um pouco de sol, apenas o suficiente para estourar a iluminação das fotos e me deixar com o nariz e a testa suando em bicas.

Eu gosto de ficar atrás das lentes, tanto de modo colorido quanto de modo preto e branco, mas confesso, tenho uma enorme inclinação por fotos preto e branco, principalmente aquelas que destoam lindamente para o cinza…  Continuar lendo “Maratone-se #2”

Maratone-se #1

Chuva pela manhã e cartas eletrônicas.

Os pés descobertos e a calça de costura torta.

Mãe. Ferro quente. Roupas de seis meses acumulada.

Blusa suja de gorfo infantil e urso de pelúcia na imagem de leão.

Três telefones tocam simultaneamente.

Vinte e uma páginas sobre direitos humanos para quarta-feira.

Ser sociável no Instagram.

Úlcera. Continuar lendo “Maratone-se #1”