Bate papo com a dona lua

Os pés se embolam nos passos vagarosos e certeiros. As mãos esbarram na fresta de minhas digitais fazendo com que metade de mim se sinta acolhida.

Às vezes me pego pensando no timbre da sua voz e no poder que seu sotaque francês exerce sobre sim, e então posso repousar meus ombros cansados no colo que tanto acalenta minhas fragilidades. Continuar lendo “Bate papo com a dona lua”

Fome de pele. Lábios incolores de cola

A jugular dela pulsa tão impaciente enquanto um singular raio de sol num domingo repousa sobre as orelhas dela.

Fico bem de perto observando o sangue pulsando bravamente, imaginando o quanto de força é necessário para alcançar uma morte indolor. Continuar lendo “Fome de pele. Lábios incolores de cola”

Imprópria para banho

A vejo exposta ao sol da manhã com as nádegas apontadas para o céu azul.
Dou uma bebericada numa cerveja gelada enquanto ouço o mar batendo nas pedras.
Ao longe, barcos vem e vão, vem e vão, vem e vão…

Refletindo sobre a vida e os amores perdidos, penso no tanto de sorte que aquele belo corpo exposto ao sol me trouxe e o quanto de fôlego aos pulmões ainda me restam graças aquele par de olhos negros dóceis, sinceros e gentis. Continuar lendo “Imprópria para banho”

Cartas para, Carolina.

Amor, deixo a testa em rugas e os olhos sedentos, mas não é raiva o que sinto, só por hoje, porém, não tão pouco o bastante, não é raiva o que me inflama.
Soletro meu próprio fôlego com versos decassílabos na esperança de trazer novamente um pouco de tom coral à vida. Continuar lendo “Cartas para, Carolina.”

Sua companheira para todas as horas

Amor,

Eu a estimo tanto. Hoje pela madrugada, pensei deveras em ti. Meu amor, minha graciosa companheira, hoje é um dia de certa angústia admito, sinto meu coração inquieto e as emoções pisotearem minha mente. Uma inquietação toma conta de meu semblante, me remetendo a memórias passadas, a fatos já consumados. Penso em toda a minha vida, exclusivamente sobre as privações de mim mesma. Confesso-lhe, lágrimas rolam quentes face abaixo, inundando o travesseiro. Sabe meu amor, tenho toda uma vida na inconsistência de incertezas, de medos enfadonhos e mutilações emocionais do próprio ser. Está noite, acometida mais uma vez pela insônia, pensei em diversas coisas que reforçaram ainda mais minha madrugada em claro. Lembrei-me de muitas coisas que gostaria de compartilhar-lhes aqui contigo, para que meu peito se esvazie e minha consciência adormeça. Continuar lendo “Sua companheira para todas as horas”