Garota Bukowskiana

Querida amada, observo as chamas em capas pretas com tipografias douradas enquanto uma pequena parcela do sol cobre as sombras de minhas mãos negras após cinco minutos de chuva. Parece que há outra de mim dentro de mim mesma, pois o grande peso da barriga soma a falta de fôlego e a dormência de minhas pálpebras. Sinto que preciso me subtrair, mas nunca existe divisão o bastante para que o mundo me impeça. Continuar lendo “Garota Bukowskiana”

Cartas para, Carolina.

Amor, deixo a testa em rugas e os olhos sedentos, mas não é raiva o que sinto, só por hoje, porém, não tão pouco o bastante, não é raiva o que me inflama.
Soletro meu próprio fôlego com versos decassílabos na esperança de trazer novamente um pouco de tom coral à vida. Continuar lendo “Cartas para, Carolina.”

Com amor, seu picolé barato

Carolina, cimento meu próprio estômago com fel amargo para poder encobrir uma devastação gigantesca de incredulidade.

Tudo me cansa, as vezes me sinto vazia como um projétil de arma perdido nas vielas, vez ou outra me sinto vazia como a mente de alguns imbecis.

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Sua doce menina

Querida amada, meu útero se contorce numa raiva descomunal. Nas veias o sangue borbulha, espirrando um liquido quente e altamente inflamável. Sinto a dor como um orgasmo interrompido, e praguejo para deus uma maldição tão fudida, que nem mesmo ele possa converter essas palavras.

Raiva hoje. Raiva amanhã. Raiva para sempre.

Faz sol lá fora, céu azul com muitas nuvens brancas… é estranho, só visualizo dor em cada uma delas. Hoje não será um bom dia, pois a lástima pela presença em vida me consome. Sabe, hoje foi dia de consulta com a psicóloga, e eu falei que estava tudo bem, e está? Ou eu queria que estivesse? Continuar lendo “Sua doce menina”