Velho, que horas que a gente morre?

Os dentes são espirrados da boca e postos novamente no lugar com uma das mãos. A outra mão segura um cigarro de filtro vermelho por entre os dedos. No bigode, resquícios de cinzas. Pele perfurada por acnes brutais, revestida em grandiosas crateras. Olhos amarelados caídos. Sobrancelhas grossas e juntas de Frida. Lábios finos em cima, um pouco grossos embaixo. Toda uma carcaça envelhecida pelo tempo e pelos raios quentes do sol. Continuar lendo “Velho, que horas que a gente morre?”

Os atrasados não comem pão

Casal gay no metrô. Dois homens trocando carícias e olhares de desejo e paixão. Porém, tudo o que eu vejo é, olhares de repulsa, olhares de revolta.

As chacotas somam-se aos dedos apontados, apontamentos estes que surgem perante um atraso histórico e atemporal. Dever-se ia explicar uma concepção de desaprovação valendo dos ensinamentos de uma doutrina periódica que atravessou gerações e gerações, e iram se atravessar mais intensamente caso uma educação social salientada num conservadorismo não se altere e/ou se modifique. Continuar lendo “Os atrasados não comem pão”

Segunda-Feira, parte 2

Eu não via a hora para que, Carolina voltasse a ficar comigo novamente. O relógio parecia voltar para trás a cada minuto que se estendia o tempo, era agoniante e desesperador… 

Quando não, finalmente os ponteiros marcavam-se 19:15 e meu celular vibra; era ela que se encontrava no portão de minha casa à minha espera. Fui então busca-la e eu mal tinha aberto o portão e ela já foi entrando e me enchendo de beijos, me abraçando e proferindo estar cheia de saudades. Não me deu muito tempo para que eu conseguisse trancar o portão, colocar o Spike para dentro, fechar a porta e pendurar as chaves, ela estava toda desesperada e afoita e já foi logo me arrastando escada a cima em direção ao meu quarto.  

Nem se importou com a bagunça, as garrafas, a cama desfeita, a música antiga, ao latido do cachorro lá na sala ou ao piano sendo tocado pela garotinha que morava na casa ao lado. Ela não se importou, muito menos se atentou a nada, simplesmente me pegou pelos braços violentamente e me jogou em minha cama tirando-a do lugar com a força e rapidez que meu corpo foi empurrado para cima dela. Carolina estava tão apressada e fogosa que mal me dava folego ou chances de dizer ou fazer algo que não fosse ou se parecesse com ato sexual. 

Ela veio por cima de mim me olhando como um caçador do reino animal admira sua presa antes de devora-la, e então me beijou os lábios e me apertou os braços, não resisti, foi como se um animal também em mim tivesse sido despertado e estivesse altamente pronto para o combate. Nos encaminhamos para a possessão da carne, o aguçar dos cheiros e do toque, a sensibilidade da pele e a vulnerabilidade da audição. Corri gentilmente minha mão de baixo para cima em suas costas por de baixo da blusa, mas começando bem suavemente causando leves espasmos no corpo dela, subindo até chegar ao pescoço, e a partir daí passei com mais firmeza meus dedos em sua nuca e enfiei meus cinco dedos por entre seus belos cabelos cacheados e puxei levemente ao mesmo tempo que minha boca já em seus ouvidos soltavam breves e calorosos gemidos de aguçar qualquer libido e arrepiar qualquer menor partícula corporal.  Continuar lendo “Segunda-Feira, parte 2”