Mulher guia

Mulher linda, porém de beleza exótica.Mulher forte, mediante aos sacrificios impostosMulher brava, quando não aguenta mais e explodeMulher rude, quando aumenta o tom com o dedo em riste.Mulher só, quando eles partem sem se despedirMulher suja, quando tem todo mundo.Mulher negra, quando sua pele fala por siMulher sã, depois de todas as apunhaladas nas costasMulher de mim mesma, mulher de todas nós.Lute com os monstros … Continuar lendo Mulher guia

o sangue me fez

foi o sangue exposto nas vísceras
o sangue que fez de mim viva
foi o sangue irreal do contato íntimo
percorrendo minhas pernas

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Mulher existo, Mulher resisto

corpo, o corpo dói, o corpo é isso ou aquilo

o sangue cai, a hora passa, a manchete fala

o sangue? o sangue não cala

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CONTE-ME

Eles estavam ao nosso redor, gritando, cuspindo, xingando, brandindo objetos que não pareceriam armas no nosso dia a dia.

Formamos um círculo e colocamos as crianças no centro. Elas se abraçavam, choravam, sem saber o que estava acontecendo.

Também não sabíamos.

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Só nos resta resistir, para bem existir

Nasci coberta de rótulos que antecedem minha existência e se grudam na pele com forças brutais. Só dentes firmes de leoa ousam os destruir. E tenho presas fortes, mordida certeira e um certo ódio que não me larga, mesmo com todo o amor que mora em mim.  Por um bocado de anos usava a cabeça baixa para evitar certas investidas nojentas e o desprezo branco burguês. Esse, dilacerador do amor de antes, me açoitava para dizer nas sutilezas que meu lugar não era ali. Às vezes eu chorava, às vezes eu gritava. Quase, bem por quase, esmurrei alguns. Mas na minha mente tinha sol que me fazia lembrar dos olhos que devem mirar acima, potentes a combater. Potentes também a enxergar, que não é tarefa simples, nem tão pouco anestesiada. Tive também histórias vazias no bolso, de não amores, negados e escassos. O corpo guardou, somatizou.

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Eu posso ser cor de rosa

Nunca tive um discurso feminista. Nunca levantei bandeiras, nunca queimei um sutiã na rua.  Sempre fui uma mulher de comportamento padrão família,  casamento, filhos, trabalho. Mas –  reconheço –  ser dona de casa nunca foi o meu forte. Luto até hoje com as panelas que teimam em se acumular, as coisas que não retornam às prateleiras.

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Parto do mundo

Quando eu descobri meu corpo, logo, encobri meus olhos.

Não tinha forma ou cheiro, gosto ou receio.

Era cegueira sem fim, era eu sem mim.

Então sangrei.

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MEU PODER

Flores são apenas flores

Não aliviam minhas dores

O gosto doce do chocolate

Não conforta a dor que me bate

Sou mulher e sou forte

Forte de verdade, sou resistência

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Personagem: Mulher…

Na semana-mês que passou por mim, atribuíram-me uma vez mais o adjetivo característico durante uma fala: “achava que você era lésbica-sapatão”… devido ao meu jeito-estilo de ser-existir e de se vestir. Eu ri porque nunca me ocupei de rótulos. Não os atribuo, tampouco os considero para consumo. Nunca me preocupei com a imagem que o outro tem de mim… até por considerar impossível saber o que o outro vê quando me olha-observa. O olhar tem suas formas peculiares de rótulos e eu nunca me afeiçoei as fôrmas e suas formas. Sempre fui aquela que fugia das multidões, procurando o lado contrário, o canto oposto…

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nas entrelinhas do (r)existir

quando nasci
abriram-me as pernas
é menina! é menina! anunciaram as enfermeiras
com certa euforia
de quem esconde o que está debaixo do nariz

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