Mara Vanessa Torres

O SOL DOS NOTÍVAGOS

Em uma hora como essa, não há mais ninguém perambulando pelas ruas. Ou quase ninguém. No final da rua, arrastando as folhas secas das árvores recém-aniquiladas com os pés, dois amigos dividem uma garrafa de suco de laranja. Ao contrário do que toda gente pensa, eles são apenas amigos. O primeiro contato se deu há mais de vinte anos, por meio da caixa de correspondência destinada aos contatos interessados no fanzine “December Moon”. Nada demais, apenas um grupo de entusiastas de histórias em quadrinhos de terror. Dentre todos os membros, eles dois acabaram trocando endereço pelos inúmeros gostos em comum.

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Borboletas na chuva de, Mara Vanessa Torres

Chove forte. Gotas autoritárias despencam do céu sem bater na porta ou enviar carta de apresentação. Tudo pesa. O ar, a própria respiração, a cabeça, o corpo, a alma. Acima de tudo, a alma; fogo fátuo de nossa crença que derruba sobre os ombros uma tonelada inteira e tudo o que podemos fazer é movimentar as pálpebras de cima para baixo em círculos eternos de paz. Chove do lado de dentro da minha casa. Gastei horas na rua vagando em busca de soluções enquanto o sol reinava quente, auspicioso. A forte luz ofuscando a visão, clareando ideais que nem eu mesma sabia que tinha, apontando caminhos. As estradas já iluminadas são muito mais fáceis de seguir do que empreender uma busca por lamparinas em armazéns velhos, mesmo que essas lamparinas esquecidas produzam uma luz própria, alimentada ou apagada por você.

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Novos Autores

O sonho comanda

“Tiago, a criança que sonhava…”

“Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer…

(…)

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança”

                                                Pedra Filosofal – Manuel Freire Continuar lendo “O sonho comanda”

A cantora que acordou surda

Os fones não duravam. As cordas vocais viviam sendo rasgadas com suas notas mais altas. Ao abrir as janelas era o mesmo ritual, uma cantoria de leve para chamar os pássaros, de tarde, no caos do tempo, vivia de fone para se ouvir enquanto não podia cantar de peito aberto para o mundo. Era fã dos diálogos de rua. Hora pousava os ouvidos na porta dos bares enquanto esperava pelo ônibus de volta para casa. Hora ficava a orelhar outros cantores que brotavam nos arredores da cidade. Continuar lendo “A cantora que acordou surda”

Um jato quente nos pequenos lábios

O corpo pousado em frente ao espelho, nu. As pernas abertas com as duas mãos em seu sexo carnudo. Os dedos firmes e grossos tocavam de forma apressada os pequenos lábios. As coxas eram grossas e meio flácidas, mas isso não a impedia de tocar em seu próprio sexo enquanto se olhava de pernas abertas, nua, por completo, em frente a seu novo espelho intacto. Seu rosto trazia a expressão de dor. Continuar lendo “Um jato quente nos pequenos lábios”

Símbolo feminino e lágrimas salgadas

Alguma coisa faz penicar os olhos de uma garota a minha frente. Talvez um cílios desprendido, ou quem sabe um teco de poeira urbana.

A garota tinha um broche com dois símbolos femininos em sua camiseta do Che Guevara e um pequeno corte sutil em um dos braços. Observei seus trejeitos em fração de segundos e voltei para minha leitura. Vez ou outra os olhos pinicavam e as mãos iam de encontro aos olhos. Continuar lendo “Símbolo feminino e lágrimas salgadas”

O QUE EU ANDO LENDO?

CONTO
substantivo masculino
LITERATURA
narrativa breve e concisa, contendo um só conflito, uma única ação (com espaço ger. limitado a um ambiente), unidade de tempo, e número restrito de personagens.
Semana passada eu estava na pegada mais poética e bem menininha de 15 anos apaixonada e hoje a pegada é diferente. Hoje eu finalizei: Contos mais que mínimos de Heloisa Seixas. E pasmem… não são contos como estamos acostumados a encontrar por aí, são na verdade CONTOS MINÚSCULOS.

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NOVOS AUTORES

Olá, Escritores!

Quem nunca pensou em desistir da escrita? Quem nunca se sentiu frustrado ao publicar seus textos e não receber nenhum retorno ou ao menos um pouco de compaixão? Quem nunca começou do zero o mesmo projeto literário várias e várias vezes de forma consecutiva? Pois bem, eu escrevo desde meus sete anos de idade e penso em desistir da escrita até hoje, mas, toda vez que eu penso em parar com tudo e gastar meu tempo com algo que me traga algum retorno, algumas pessoas que me seguem, aliás, eu odeio o termo “seguidor”, me fazem lembrar que há algo em mim que as tocam de uma forma mortífera e voraz e que eu não posso simplesmente acabar com tudo como se as palavras que eu escrevesse não tivessem um significado para alguém, mesmo do outro lado do mundo.

Ora pois, já fazem duas semanas que eu venho seguindo uma rotina, (eu odeio rotinas). Não a sigo de forma impecável mas todo santo dia ao acordar eu me obrigo a passar por uma bateria de leituras no Medium, no WordPress, em grupos de literatura no Facebook, além de caçar livros aleatórios nas prateleiras da biblioteca aqui perto de casa e me ponho a pensar: FODA-SE O RETORNO… ESCREVER É A MINHA VIDA, É PARTE DO QUE EU SOU, E SE ISSO MORRER, EU ESTAREI ANIQUILADA PARA SEMPRE. 

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NOVOS AUTORES

Olá, Escritores!

Acabo de voltar para casa após ficar alguns dias em leitos hospitalares. É gozado a forma como a vida se torna frágil e amedrontadora quando tudo o que você tem a sua frente é soro que pinga em suas veias e gritos de senhoras que possuem 80% do corpo quebrado. Ao menos eu tinha um novo livro para ler: Sobre o Amor, Bukowski . Um ótimo livro que me levou a crer que ainda há esperanças na vida, no amor e principalmente nas novidades literárias.

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NOVOS AUTORES

Olá, Escritores!

As mãos pulsam em fogo até que as linhas sejam traçadas corrompidas do próprio peito. É preciso transbordar os milímetros do que somos para que sejamos um pouco menos covardes e solitários do que habitualmente estamos fadados a ser.

Leitores/Escritores, estamos de volta com a divulgação de carne fresca no meio literário. Todos os dias estou a receber trabalhos de autores com interesse em ter seus textos divulgados aqui no blog. Além de dar maior visibilidade para poetas, contistas, cronistas e escritores de fundo de gaveta a categoria: Novos Autores é um meio de descobrir a essência do outro através da arte particular de cada um.

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