Vassouras pretas

O ar me falta até quase meus olhos saltarem para fora de meus buracos, sinto o cérebro sambar de forma torta dentro de uma enorme superfície, posso sentir a temperatura que as sombras possuem quando estão prestes a te arrastar para a morte. Caio então, em poços construídos pela repetição das causas. Boca seca, mãos congelantes, arrasto o dorso por debaixo de pele morta. Continuar lendo “Vassouras pretas”

Gestão e Planejamento

Cobertas vão pelos ares bebendo da cor cinza das nuvens tortas.
Um corpo superaquecido pela graça dos sonhos de um amor falido.

Avisto mãos infantis catando migalhas de bocas que espirram desperdicio.
Às vezes o perdão da jovem fome só se encontra quando a palma negra refuça o lixo. Continuar lendo “Gestão e Planejamento”

Brincos de madeira e balas de plástico

Mãos frias e transparentes, tocando no contexto de minha pele esculpida pela fervura. Teus olhos pedem para serem salpicados pelo sal do meu sorriso. A partícula fina da chuva despenca sobre luzes presas em postes de plástico e meu dorso se remexe grudado em astes de madeira enrigessida. Um livro sobre à mesa; suicídio. Declínio corriqueiro das nossas perturbações mútuas. As horas pendem junto com … Continuar lendo Brincos de madeira e balas de plástico

Mantendo-se nos pilares de uma fortaleza anti social.

Íngreme e pendulo. Um amontoar de casas e vidas que se aglomeram na vastidão de um quadrante de terra. Antes barro, capim, cerrado. Hoje, pau a pique, madeira e uma ou outra de cimento e cal. Histórias, passados, antepassados que se interligam e formam uma espécie de corrente mundana natural. O que soma todas estas vidas? O que as multiplica, se as multiplica, o que o mundo fez delas para que se subtraíssem a uma parcela invisível?

Os dias vão, os anos seguem… as vezes um feijão na panela, as vezes um copo de água barrenta para driblar a fome e aquietar as entranhas famintas por uma sucessão de três dias ou mais. Daqui da minha varanda são exatamente 12:39 pm, mas ali do outro lado da grade o tempo corre diferente, os ponteiros dão voltas para trás e nenhum rumo segue em viés a uma vitória. Continuar lendo “Mantendo-se nos pilares de uma fortaleza anti social.”