Esquecidas aventuras

Por, Josi Siqueira

A vida tem passado rápido mas eu não me arrependo, não. Eu quero mais é aproveitar cada tiquinho que tiver direito. Ô, senhora, tu não vai comprar não? Vai só olhar, é? Ah, se eu cobrasse para as pessoas olharem minhas artes. Não é fácil fazer isso aqui, você sabe. Mas como eu ia dizendo, eu quero mesmo é desbundar. Quero fazer essas coisas doidas que a garotada faz. Dançar funk, quero dançar funk. Rebolar com a raba no chão, não é como dizem? Que foi, menina? Tá me achando doida, é? Aqui não tem meias palavras, a verdade pode ser feia mas é melhor que as mentiras cheias de floreios.

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Sergio Moro e Globo, os heróis do Brasil.

Por, Pedro Parker

Nas últimas semanas, o cenário político brasileiro voltou a estar inflamado, mensagens entre o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, foram reveladas a público. As conversas que foram feitas no aplicativo de mensagens Telegram, deixam claro que a relação que o juiz e o procurador mantinham era próxima, colocando por sua vez em xeque a maneira de como foram feitas as investigações no caso do ex presidente Lula. As mensagens divulgadas pelo portal The Intercept, pelo premiado jornalista Gleen Greenwald, dono de um prêmio Pulitzer, que seria o óscar do jornalismo, trazem Moro dando dicas de como Dallangol deveria se portar ou até mesmo, quais os caminhos percorrer para conseguir vencer Lula na justiça, mostrando-se assim, um quase assassinato ao código de ética dos juristas. Moro errou ao tramar e não mostrar ser um juiz imparcial no caso, a OAB já se pronunciou recomendando que o mesmo peça exoneração do cargo.

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@a_estranhamente

Eu, mulher, agênera!

Atento-me ao rubor dos dias insanos, bebericando cerva gelada, com os bicos despontados, ouriçados e enrijecidos.  Vejo lá longe, algo despontar entre esquinas e aqui dentro do que eu acho que sou, borbulha alguns mares de indecisões e descobertas abrupta. Tudo, absolutamente tudo ultimamente me faz indagar sobre o meu papel social e a que caixa pertenço eu, perante a esta vastidão de percalços soturnos de uma vida liberta e ao mesmo tempo enclausurada. Que papéis devo interpretar, se como detentora de carne humana, há sempre coisas por demais a me devorar em colheres de sopa?

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segunda-feira nada morna

Segunda-feira nada morna

Uma massa grossa de ar quente paira no ar transpingando do aglomerado de corpos. Filas e mais filas. Pessoas cabisbaixa com seus smartphones sondando algo menos desprezível para curtir no Facebook. Ao meu lado uma mulher branca, loira, na faixa dos quarenta anos, puxa em direção ao corpo sua bolsa, após eu esbarrar nela. Me olha assustada como um pardal ao despencar do ninho. Respiro uma massa quente, úmida, humana e, apenas sigo meu caminho.

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A volta às aulas e a ansiedade

A volta às aulas e a ansiedade

Depois de dois meses longe da habitual rotina, hoje voltei oficialmente para a faculdade. Acordei perto das oito da manhã com o céu cinza e pequenas gotas de chuva. Eu tinha dois contos para revisar e dois módulos da minha especialização em álcool e drogas para fazer. Levantei, desliguei o ventilador, fui até o banheiro e me deparei com os tapetes todos embolados: o maldito gato havia cagado nos tapetes! Os botei pra lavar, mas antes, trucidei o gato com meu mau humor matinal. Me recompus e voltei para o quarto-escritório. Enquanto o computador ligava, rolei os dedos entre as redes sociais para ver o que estava acontecendo. Não sei por que faço esse mesmo ritual toda manhã, abrir o Instagram, verificar quem deu um coração nas postagens, deixar um coração nas mensagens do direct, contabilizar a quantidade de perfis que visualizaram os Storys…

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Observar em silêncio é melhor que dizer algo

Observar em silêncio é melhor que dizer algo – poderia ser uma das máximas da minha vida. Estou plenamente convicta que esta é uma das atitudes mais sábias que terei aprendido ao longo das minhas quatro décadas.

A verdade é que até há algum tempo eu não era nada assim. Poderia dizer que, quando era “Menina e moça”, era aquilo que em Portugal se chama de “uma rapariga sem papas na língua”. Sempre gostei de falar, de exprimir as minhas ideias, os meus pontos de vista. Sempre gostei de contar aos outros sobre aquele livro ou aquele filme que tinha visto e que era tão, mas tão bom, que tinham absolutamente de ler ou ver. E assumo que me dava um prazer enorme perceber quão persuasivo era o meu discurso, quando a pessoa me vinha falar do livro ou do filme que tinha acabado por ler/ ver por causa da minha crítica positiva. Continuar lendo “Observar em silêncio é melhor que dizer algo”

Vassouras pretas

O ar me falta até quase meus olhos saltarem para fora de meus buracos, sinto o cérebro sambar de forma torta dentro de uma enorme superfície, posso sentir a temperatura que as sombras possuem quando estão prestes a te arrastar para a morte. Caio então, em poços construídos pela repetição das causas. Boca seca, mãos congelantes, arrasto o dorso por debaixo de pele morta. Continuar lendo “Vassouras pretas”

Maratone-se #2

Pés podres e coluna estragada ao final do dia. Hoje foi dia de ensaio fotográfico no centro de São Paulo e o modelo da vez foi um ex colega de turma e futuro colega de profissão, Guilherme Gatti. Acertamos no relógio as onze horas da manhã pontualmente no inicio da praça Franklin Roosevelt. Fazia um pouco de sol, apenas o suficiente para estourar a iluminação das fotos e me deixar com o nariz e a testa suando em bicas.

Eu gosto de ficar atrás das lentes, tanto de modo colorido quanto de modo preto e branco, mas confesso, tenho uma enorme inclinação por fotos preto e branco, principalmente aquelas que destoam lindamente para o cinza…  Continuar lendo “Maratone-se #2”

Cheiro de mofo e dentes separados

Proporções de você se escoram em meus ombros derramando o perfume que usava em nossas juventudes. Meus olhos doloridos esguicham água salgada enquanto meus ouvidos sobrevoam para fora das janelas de plástico. Sinto sua voz desmanchando por entre meus dedos e meu útero dói constantemente. Vertigens acaloradas tomam conta de meu ser que hoje sente-se tão ausente, sente-se acanhado por sustentar ossos, sangue e pele. Continuar lendo “Cheiro de mofo e dentes separados”

Desafio Literário | O que a vida fez de mim?

Último dia de Desafio Literário e na boa? Que DESAFIO! Recebi inúmeros trabalhos de pessoas muito articuladas e muito boas. Papai, como foi difícil escolher somente 10 autores. A cada nova linha que eu iniciava eu conseguia me projetar para além de mim, aposto que todos os leitores do desafio sentiram algo a mais ao ler cada novo autor.

Quando se trata de literatura o assunto fica sério. A coisa fica doida e a experiência a uma nova leitura é sempre um orgasmo sem preliminar. Falando em orgasmo, estou aqui me colocando a pensar nos escritos da Fernanda Abreu… O blog dela foi um puta achado, e mais do que isso, aposto que daqui a algum tempo escreveremos um livro juntas de tanto que trocamos e-mails com textão gigante sobre as nossas tão diversas realidades.

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